segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Fatores que concorrem para o bem-estar da juventude



Fatores que concorrem para o bem-estar da juventude
Por Carlos Bernardo González Pecotche (Raumsol)

A ausência de uma preparação básica, prática e superior, que ensine ao ser humano como encarar os problemas da vida, impele-o a cometer uma quantidade de erros que, depois, por via da experiência, se vê obrigado a corrigir, mas após haver sofrido os efeitos que a incapacidade impõe. Isso nada representaria se os frutos colhidos em sua aprendizagem servissem para beneficiar as condições humanas na luta contínua contra a adversidade. 

O certo, porém, é que os que conseguem ir levando com resignação a vida, conservando-a mais do que superando-a, nada tiram como conclusão, porque atribuem tudo o que lhes ocorre a fatos circunstanciais, quando não fatais ou providenciais; portanto, não têm em conta os acontecimentos nem sentem a necessidade de se informarem da razão por que lhes aconteceu tal ou qual coisa, enquanto se empenhavam em realizar quaisquer dos propósitos perseguidos. 

Como é possível, então, fazer chegar o valioso auxílio do conhecimento prático aos milhões de seres que penetram na vida desprovidos de toda defesa e iniciativa para empreender, através do longo e tortuoso caminho a percorrer, a busca de um futuro seguro?

Se bem devam todos ser auxiliados, é preciso colocar a juventude em primeiro lugar, fazendo com que seja ilustrada e instruída sobre a quantidade de obstáculos e dificuldades que haverá de encontrar na vida, para que saiba ultrapassá-los, evitando ter de correr riscos inúteis, que tanto desanimam e acovardam o homem em formação.

Tendência marcante no temperamento juvenil 
é a intolerância com o critério alheio


O jovem se aferra tenazmente a seu juízo, chegando até à obstinação, sem levar em conta, precisamente pela falta de experiência, que as razões dos demais podem ser igualmente respeitáveis. Essa intemperança, como é natural, traz ao homem em formação muitas contrariedades, perdas de amigos, etc., ao mesmo tempo que ele se desconceitua  ante os que o estimam.

A pressa é outra característica negativa do caráter em formação. Tudo se quer fazer quando ainda mal se pensou, sem se preocupar com as consequências; o resultado é, quase sempre, um fato adverso que produz no ser amargos momentos, pois não se deve apressar uma decisão antes que ela esteja respaldada pela análise de cada uma das circunstâncias que concorrem para determiná-la.

O caráter requer formar-se no rigor das experiências e das ideias; que essas se enraízem e alicercem, no ser que se está formando na vida, convicções profundas sobre a necessidade de forjar uma vontade firme, que lhe permita conseguir a confiança de seus semelhantes em sua palavra e em sua amizade e, assim, conquistar simpatia e conceito favoráveis. 

Quando o sentimento de camaradagem está ausente, o ser é levado à brusquidão e ao isolamento. Por isso, é muito importante que o espírito de colaboração presida constantemente o ânimo na juventude, pois todo gesto generoso, todo oferecimento de ajuda, ainda nas coisas mais simples, cultiva a simpatia e desperta sadias reações de amizade e sinceridade.


Texto extraído da Coletânea da Revista Logosofia, tomo 1, p. 233

domingo, 29 de setembro de 2013

Recorde estas palavras



Recorde estas palavras...
Por Carlos Bernardo González Pecotche (Raumsol)
Um pai velava o doce sono de seu filho, de tenra idade, e, inspirado no amor que lhe professava, escreveu para ele estes conselhos:
“Alimente-se. Nutra seu corpo; que ele seja vigoroso e flexível. Todo o seu organismo deve vitalizar-se dia após dia.
Brinque. Em suas brincadeiras surgirá em cena um mundo em miniatura, que obedecerá a todos os seus desejos.
Seja ordenado. Depois de brincar, não deixe esse minúsculo mundo jogado por aí, para que outros, seus pais ou irmãos, tomem conta dele e o entreguem a você no dia seguinte para sua diversão.
De noite, quando for dormir, leve alguma dessas coisas que você toma como personagens de seu mundo: aquela de que mais goste e que lhe seja mais simpática. Segure-a junto de si até dormir. Ela o guiará em seus sonhos e será sua intérprete.
Seja esmerado no vestir e asseado em tudo.
Nunca se apegue demais a seus trajes, mas conserve-os sempre em bom estado. Quando ficarem pequenos ou se desgastarem, eles lhe serão substituídos.
Obedeça a seus pais e não reclame mais que o necessário. Quando lhe disserem que você não tem razão, ceda e acalme-se. Algumas vezes você a terá, e outras não.
Acrescente ao que foi dito mais o seguinte:
Estude. Seu espírito necessita do alimento com que se há de nutrir. Sua mente também necessita nutrir-se. Não se prive desse alimento tão indispensável para completar seu desenvolvimento físico e psicológico.
Seja dócil a tudo quanto lhe for indicado para seu bem.
Obedeça ao professor que lhe ensina, e cumpra com todos os seus deveres.
Mesmo quando você for obrigado a interromper suas brincadeiras preferidas, conserve sempre o bom humor e a paciência.
Cuide que a inocência de seus primeiros anos não sofra mudanças bruscas.
Afaste seus olhos daquilo que fira sua sensibilidade infantil e não dê ouvidos a palavras néscias ou torpes.
Selecione seus amiguinhos. Procure as boas companhias.
Pergunte a seus pais, ou aos que cuidem de sua instrução, tudo quanto você queira saber, mas não seja curioso distraindo sua atenção com coisas que não interessam.
Seja cuidadoso com seus livros e anote tudo aquilo que aprender. Você evitará, assim, muitos esquecimentos.
Acostume sua mente a não mentir, embora você deva sofrer por isso muitas injustiças. Quando você for maior, ensinarei como deve se defender dos que mentem para prejudicá-lo.
Refreie quanto puder seus impulsos. Seja enérgico sem ser violento. Seja justo sem ser exigente. Seja tolerante com as faltas dos outros e reprima as suas com rigor.”
Trechos extraídos do livro Intermédio Logosófico p. 129

sábado, 28 de setembro de 2013

Resultados da realizalçao logosófica no aspecto familiar




Por Carlos Bernardo González Pecotche (Raumsol)
No seio da família, a prática do conhecimento logosófico e o adestramento consciente das aptidões mentais e psicológicas produzem resultados fecundos.
Lares onde reina a discórdia – por causa de desavenças, antagonismos de modalidades, predileções, diferenças de gostos ou opiniões, bem como por ausência de toda vontade de conciliação – vão mudando gradualmente pela ação harmonizadora e criadora do ensinamento logosófico, até alcançar aquela dourada concórdia que só se manifesta quando os lares* da compreensão, do respeito e do afeto foram benevolamente acolhidos no páramo doméstico, convertendo-o em oásis.
É que o cultor da Logosofia, ao consagrar seu tempo disponível à realização do processo de evolução consciente, que implica um constante melhoramento de suas aptidões e condições, propicia e faz efetiva a grata convivência no lar. Geralmente, as apreciáveis transformações observadas em quem começa a viver logosoficamente levam os demais membros da família à decisão de seguir idêntico caminho, com o que o lar se torna, finalmente, um baluarte de paz e de felicidade. Todos falam e comentam, com viva alegria, sobre as ocorrências do processo que estão realizando, e revivem com prazer os momentos de elevadas vivências psicológicas e espirituais que se promovem no imenso campo de estudo e experimentação da Logosofia.
A Logosofia realiza obra benéfica no seio dos lares ao transformar fundamentalmente o ambiente mental e psicológico
O conceito logosófico sobre a conduta humana, que cada logósofo torna próprio por considerá-lo imprescindível como respaldo de sua vida de relação, leva a compreender, sem lugar a dúvidas, que a formação ética de uma pessoa depende de certos fatores e, muito especialmente, do cultivo que faça de suas qualidades morais e sensíveis. A ética não teria finalidade ou, melhor ainda, não cumpriria seu verdadeiro objetivo social, se não contivesse os elementos básicos que a tornam possível, a saber: elevação de propósitos, tolerância, paciência, obsequiosidade sincera, naturalidade no trato, afabilidade, prudência e tato nos juízos que se emitem sobre terceiros. 
Arrematando esse enunciado ético, diremos também que, acima de tudo, haverá de reinar a cortesia como expressão de afeto e de respeito e, do mesmo modo, o pensamento conciliador, que consolida a mútua consideração e entendimento.
Pode-se ver agora por que a Logosofia realiza obra tão benéfica no seio dos lares, ao transformar fundamentalmente o ambiente mental e psicológico em que antes a família se debatia, pelo fato de pais, mães e filhos carecerem dessas diretrizes precisas, as quais levantam o ânimo, aquietam as excitações do temperamento e levam a ser cada dia mais consciente da própria responsabilidade moral.
* N.T.: Metáfora em que o autor situa a compreensão, o respeito e o afeto como os lares da mitologia (deuses domésticos entre os romanos e etruscos, protetores do lar ou da família).

Trechos extraídos do livro Curso de Iniciação Logosófica, p. 87
http://www.logosofia.org.br/imagens/artigos/artigos_impressao.gif

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Resultados da realização logosófica no aspecto econômico do ser humano



Resultados da realização logosófica no aspecto econômico do ser humano
Por Carlos Bernardo González Pecotche (Raumsol)
É bom deixar bem ressaltado que muitas pessoas, quando começam o processo logosófico de evolução consciente, apresentam em seu aspecto econômico um quadro mental totalmente indefinido. Na realidade, além de não estarem satisfeitas com o que possuem, em muitos casos constitui uma obsessão para elas o aumento de suas rendas.
O que não se pensa é que antes se deve aumentar a capacidade mental, para dispor com acerto do que se tem e de tudo quanto se acrescente ao patrimônio individual
Não sendo assim, logo o dinheiro se converte em tirano, e quem o possui, em escravo do seu poder alucinante, que o faz viver em permanente intranquilidade e constante desassossego.
O logósofo, logo que passa a encontrar o maior incentivo de sua vida na atenção a seu processo de evolução consciente, que lhe oferece a magnífica oportunidade de abastecer seu ser interno com os valiosos conhecimentos da sabedoria logosófica, ajusta sua conduta e seus afazeres a uma finalidade superior, que substitui os objetivos mesquinhos de sua ambição anterior.
Como resultado, o campo de suas atividades correntes, antes restrito, se renova e amplia, conseguindo com muito menos trabalho rendimentos que não havia suspeitado. É que entra em jogo um fator muito importante: as mudanças verificadas em sua psicologia e a superação de sua conduta, que influem decididamente em seu favor. Ao inspirar maior confiança, abre-se, de fato, um crédito moral que lhe é outorgado implicitamente pelos seres com os quais mantém vinculações de ordem econômica, seja no comércio, na indústria, nos bancos, seja na profissão que exerce.
Por outro lado, tem-se podido comprovar que, antes de tomarem contato com a Logosofia, as pessoas em geral gastam muito dinheiro em coisas supérfluas, incitadas a isso por irrefletidas razões de ordem pessoal. Com frequência, esbanja-se dinheiro na satisfação de necessidades pueris, em obrigações de caráter social intempestivamente criadas, ultrapassando-se os limites da prudência quando se trata de satisfazer caprichos ou proporcionar diversões a si mesmo.
Quando o homem se organiza de outro modo, quando avalia devidamente os novos valores que faz ingressar em suas arcas mentais e encontra, na tarefa de sua evolução, um gratíssimo prazer que supera os comuns, de fato se produz uma contenção nos gastos supérfluos. A poupança é, pois, automática. E esse não se constitui no único resultado no aspecto da economia individual; a ampliação gradual do campo das atividades permite, sem muito esforço, aumentar o rendimento em tudo quanto se faz.
Trechos extraídos do livro Curso de Iniciação Logosófica, p.92