terça-feira, 31 de dezembro de 2013
Meu primeiro contato com a Fundação Logosófica
Meu primeiro contato com a Fundação Logosófica
Há tempos, um colega de trabalho me falou sobre a importância dos ensinamentos logosóficos para a nossa vida e a respeito da Fundação Logosófica em Prol da Superação Humana, Instituição dedicada à cultura superior. Fez referência aos seus objetivos e mencionou alguns temas relacionados com os aspectos transcendentes propostos pela Logosofia, tais como as Leis Universais, o processo de evolução consciente, o conhecimento de si mesmo, a função de pensar, as deficiências psicológicas, os sistemas mental, sensível e instintivo.
Percebendo o meu interesse por esses temas, convidou-me para participar do curso de informação e preparação ministrado pela Fundação, visando ao ingresso na Instituição. Na época, disse-lhe não dispor de tempo para dedicar-me ao curso. Posteriormente, observando a conduta exemplar dos estudantes filiados a essa Instituição e a possibilidade de superar-me com a aquisição e prática dos ensinamentos logosóficos, ingressei na Fundação com o objetivo de realizar o processo de evolução consciente.
Ao tomar contato com o ambiente da Fundação, pude perceber a grande diferença entre esse e os demais que conhecia. Senti que ali reinava paz e tranquilidade além de um grande afeto, e entre os estudantes existia uma ética superior de respeito, tolerância e liberdade.
Ao realizar o estudo e a prática dos ensinamentos transcendentes pude comprovar, em pouco tempo, os resultados relacionados com a superação de conceitos e de conduta, realizáveis por meio do original método instituído pelo criador da Logosofia González Pecotche.
Fazendo, atualmente, um levantamento dos benefícios conquistados com a ajuda dos elementos desta ciência, comprovo uma melhora em todas as ordens da minha vida, principalmente na parte relacionada com os aspectos mental, moral e espiritual.
Sinval Lacerda
Para mais informações sobre a Logosofia e a Fundação Logosófica:
www.logosofia.org.br
segunda-feira, 30 de dezembro de 2013
O que é Logosofia?
A Logosofia foi criada pelo humanista e pensador González Pecotche e um dos seus principais objetivos é ensinar o ser humano a pensar por si mesmo e criar uma nova individualidade por meio da realização do processo de evolução consciente, que possibilita ao homem reformular a sua estrutura mental e psicológica, visando a uma evolução com a participação da consciência.
É reconhecida como de utilidade pública pelo Decreto Federal 64210( 69 Brasil); é uma Instituição sem fins lucrativos e não tem nenhuma conotação religiosa, política ou ideológica. Como parte integrante da Logosofia, a pedagogia logosófica é aplicada em colégios que compõem o Sistema Logosófico de Educação em todo o mundo, abrangendo desde a Educação infantil até o Ensino Médio, atualmente presentes no Brasil, no Uruguai e na Argentina.
Podemos comprovar, por meio da própria experiência e da observação, que apesar do esforço e dos edificantes propósitos criados pelo homem, visando a sua superação evolutiva, não consegue transformá-los em realidade por causa da influência altamente negativa dos elementos contrários existentes em seu interno: as crenças, os preconceitos, as deficiências psicológicas e a falta de um adestramento mental. É uma ciência eminentemente prática e comprovável, portanto, não há necessidade de acreditarmos no que ela ensina, uma vez que podemos experimentar e comprovar, por nós mesmos, a verdade contida em cada ensinamento.
Com o estudo e a prática dos seus ensinamentos, vamos edificando um novo ser, bem superior ao comum, em conformidade com o objetivo essencial da vida e conquistando a felicidade tão almejada dentro de nós.
Martinho
Para mais informações sobre a Logosofia e a Fundação Logosófica:
www.logosofia
domingo, 29 de dezembro de 2013
A Logosofia abrange tudo de que o ser humano necessita para superar-se e eviluir conscienteemente
A LOGOSOFIA ABRANGE TUDO DE QUE O SER HUMANO NECESSITA PARA SUPERAR-SE E EVOLUIR CONSCIENTEMENTE
Quando tomei contato com os ensinamentos logosóficos, pude vislumbrar, através da sensibilidade, a sua grandeza e profundidade. Entretanto, jamais poderia imaginar a amplidão que esta Ciência encerra e a possibilidade de ir assimilando os seus ensinamentos e incorporando-os na consciência.
Pela primeira vez, tomo contato com os conhecimentos transcendentes, o que me faz sentir estímulos de uma hierarquia bem superior aos comuns. O maior estímulo para a vida é o saber, que constitui a finalidade da nossa existência aqui na terra. Com o objetivo de alcançar esse desiderato, devemos reformular o nosso sistema mental, selecionando os pensamentos, eliminando os preconceitos, as crenças e o mal existente dentro de nós através da própria redenção.
Hoje tenho plena convicção de que esta Ciência não somente faz referência ao verdadeiro caminho que devemos seguir, mas possibilita o ser percorrê-lo através da realização do processo de evolução consciente, instituído nas Fundações Logosóficas, por meio de um método original com excelentes resultados.
Entendo que o ser humano somente consegue evoluir, conscientemente, quando começa a pensar por si mesmo, ao fazer uso da função de pensar.
Com os estudos e prática destes conhecimentos, sinto que um novo ser começa a surgir no meu interno, apesar da violenta reação do velho ser, representado pelas paixões e pelos preconceitos da velha cultura.
Com os novos conceitos extraídos desta Ciência, estou conseguindo edificar uma nova vida, bem diferente da anterior. Essa realidade, comprovada pelas mudanças conceituais e de conduta e pela perspectiva de conseguir outras superações, atua internamente como fonte perene de estímulo na busca do saber.
Sinto a necessidade de corresponder a tudo de bom que recebo. E quanto maior é a consciência deste bem, maior é o meu anelo de retribuí-lo, porque a verdadeira gratidão surge da consciência que vamos tendo do bem recebido e à media que o vamos levando aos demais. Com esses novos conceitos vou eliminando o amor próprio e o egoísmo que me levavam – e ainda me levam (antes com maior intensidade – a desacatar a lei de correspondência.
Sinval Lacerda
Para mais informações sobre a Logosofia e a Fundação Logosófica:
wwww.logosofia.org.br
sábado, 28 de dezembro de 2013
Edificação de uma nova vida
EDIFICAÇÃO DE UMA NOVA VIDA
Fazendo uma análise retrospectiva da minha vida, pude verificar que sempre existiu em mim um anelo de ser melhor e de ajudar aos semelhantes. Entretanto, apesar das várias tentativas feitas com os meios de que dispunha, isto é, propiciados pela religião que pratiquei e pela cultura vigente, não obtive resultados satisfatórios nos aspectos internos e espirituais.
Não consegui, também, resolver as aspirações de saber, as inquietudes espirituais, nem tão pouco os problemas da minha inteligência que sempre se manifestaram, levando-me a uma constante prostração mental e espiritual. A falta de realização nos aspectos moral, psicológico e espiritual produziam em mim um grande vazio interno que me deixava triste e amargurado frente a vida.
Observava esse mesmo estado de angústia e insatisfação nos seres com os quais convivia e nos demais de um modo geral, embora pertencessem as mais variadas seitas, correntes ideológicas ou filosóficas, o que me levava a concluir que nenhuma delas tinha condições de orientar o ser para que pudesse resolver essas questões de tamanha transcendência para a superação e evolução.
O desconhecimento da própria realidade, das minhas deficiências psicológicas e do meu potencial interno levavam-me a perder a minha individualidade e a trabalhar, quando tentava superar-me, com um ser fictício, sem conseguir resultados concretos.
Foi justamente nessa época, em que me encontrava insatisfeito com a vida que levava, que deparei com a Logosofia, Ciência em prol da superação humana. Embora, no início, não conseguisse entender bem os seus ensinamentos, a minha sensibilidade captava as suas verdades que me estimulavam a prosseguir a investigação.
Quando me aproximei do ambiente da Fundação Logosofica, fiquei maravilhado. Senti que ali deveria existir algo diferente dos demais, porque não havia encontrado ainda nenhum similar a esse. Posteriormente, pude comprovar que, além da existência de uma ética superior de respeito, de tolerância e de liberdade entre os estudantes, reinava uma grande força denominada afeto.
A atração que senti por esse ambiente e a grande esperança de encontrar o verdadeiro guia que pudesse orientar-me na direção dos objetivos reais da vida levaram-me a ingressar na Instituição.
Logo no início, obtive os primeiros resultados através dos reajustes disciplinares, factíveis de realizar por meio do método logosófico.
Entretanto, nessa época, tive de lutar muito com a crença e os preconceitos que me foram inculcados na infância, idade em que nem sequer fazia uso da razão.
Dava um valor estimativo muito grande às crenças e aos preconceitos que faziam parte da minha vida e, quando me adverti de que, para evoluir com a participação da consciência, deveria substituí-los e superá-los, senti temor de ser castigado pelo fato de estar contrariando a vontade de Deus. Não me dava conta de que era exatamente o contrário: o distanciamento do meu espirito pela falta do conhecimento de mim mesmo e o desconhecimento da vontade suprema, representada pelas leis universais, é que me levam a conspirar, com frequência, contra os elevados desígnios do Criador.
Os conhecimentos transcendentes, ensinados pela Logosofia, muito diferem dos conhecimentos comuns. Estes são úteis e atendem às necessidades externas, à subsistência física. Enquanto que aqueles são transcendentes e atendem a natureza superior do ser, isto é, a existência espiritual.
Analisando os meus conceitos de vida, homem, destino, consciência, pensamentos, Deus e muitos outros, verifiquei que antes de estudar Logosofia eles eram estáticos e principalmente o conceito de Deus era o mesmo que me havia sido inculcado na infância. Pude, então, comprovar que “todo conceito que não evolui se reverte num preconceito” e que a natureza se perpetua mediante uma renovação constante de suas partes.
Compreendi, também, que para evoluir conscientemente era necessário pensar por mim mesmo e promover uma renovação constante dos conceitos, além da eliminação dos preconceitos e das crenças existentes em minha mente, porque “não pode haver evolução sem mudanças”.
Sinval Lacerda
Para mais informações sobre a Logosofia e a Fundação Logosófica:
http://www.logosofia.org.br/
sexta-feira, 27 de dezembro de 2013
A influência da Lei de Evolução na vida do ser humano
Há um axioma em Logosofia que diz: "Quem quiser chegar a ser o que não é, deverá principiar por não ser o que é". Esse axioma sintetiza as bases de uma evolução consciente e progressiva, porque não devemos acomodar-nos após a conquista de apenas um estado ao qual nos encontramos. O esforço deve ser constante para que possamos alcançar novos estados superiores, visando sempre à superação do que já conseguimos.
A evolução deve ser ampla, isto é, em todas as ordens da vida e com a participação da consciência, para que possamos cumprir com o divino plano designado pelo Criador.
Quando começamos a compreender e sentir a finalidade essencial da vida, passamos a dedicar mais tempo aos aspectos transcendentes, visando a nossa superação e evolução. Para isto é imprescindível a criação de energias internas, capazes de ajudar-nos a vencer tudo quanto atente contra os nossos elevados propósitos de bem e contra nossas determinações.
Com o estudo e a prática dos ensinamentos logosóficos, sentimos a necessidade de crescer internamente. Refletindo, intensamente, sobre minha vida, concluí que ainda conservo resquícios de crenças e preconceitos que me foram inculcados principalmente na infância, quando nem sequer fazia uso da razão, o que, logicamente, me prejudicou em todos os sentidos. Sei que a edificação de uma nova vida é uma tarefa árdua, mas frente a minha consciência, sinto que é uma excelente oportunidade para atingir o ideal transcendente que plasmei na mente como objetivo.
Com o estudo e a prática desses ensinamentos, começo a perceber, com alegria, os primeiros indícios de uma nova vida que está se iniciando dentro de mim, o que considero o resultado da atuação dos conhecimentos logosóficos e do despertar da minha consciência.
Sinval Martinho
Para mais informações sobre a Logosofia e a Fundação Logosófica:
quinta-feira, 26 de dezembro de 2013
Os ciclos da evolução humana por meio das Leis Universais
Os ciclos da evolução humana por meio das Leis Universais
Segundo a Logosofia, Deus, ao plasmar a imagem do homem, determinou-lhe o cumprimento de todos os ciclos de evolução por meio das Leis Universais. Para isso, o Criador concedeu-lhe a prerrogativa de conhecer a Sua vontade plasmada nessas Leis. Ao tomar consciência desse grande privilégio, o homem poderá reger sua vida como ser físico e imortaliza-la como ser espiritual.
Quando começamos a compreender e sentir o objetivo essencial da vida, passamos a dedicar mais tempo aos aspectos transcendentes, com o objetivo de superar-nos, evoluir conscientemente e nos constituir em verdadeiros servidores da humanidade. Para isso, é fundamental a criação de energias internas e das defesas mentais, capazes de nos ajudar a vencer tudo quanto conspire contra os nossos elevados propósitos de bem e a firmeza de nossas determinações.
É necessário, também, adquirir o conhecimento dos sistemas mental e sensível e dos pensamentos, para podermos entrar em contato com a nossa realidade interna.
O desacato aos supremos desígnios do Criador, plasmado nas Leis Universais, tem contribuído para que o homem sofra com frequência, os efeitos negativos da adversidade que tanto o deprimem e angustiam. A adversidade é um dos agentes morais da Criação e a sua finalidade principal é despertar no ser humano a necessidade de mudar de vida.
O ser humano, à medida que vai se superando e evoluindo, clama internamente por verdades que lhe saciem a sede superior, para que possa criar dentro de si a felicidade tão ansiada e a orientação segura de um caminho que o conduza ao Criador.
A Logosofia proporciona ao ser os meios para a realização do processo de evolução consciente, o qual o conduz ao conhecimento de si mesmo e, consequentemente, aos grandes conhecimentos, tais como: da Criação, das Leis Universais, da finalidade da vida, do mundo transcendente, do próprio espírito e do Criador.
Sinval Lacerda
Para mais informações sobre a Logosofia e a Fundação Logosófica:
www.logosofia.org.br
quarta-feira, 25 de dezembro de 2013
Consciência, essência da vida
Consciência, essência da vida
Por Carlos Bernardo González Pecotche (Raumsol)
Geralmente, ao se tratar da consciência humana, é comum ouvir falar dela de forma vaga e ainda despojando-a do atributo superior que configura seu significado.
Entretanto, penetrando nela mais profundamente, em sua mais elevada acepção, chega-se à conclusão de que ela é a própria existência; mas, como essa raiz em muitos dos seres humanos se desprendeu, simbolicamente falando, da terra que a nutria, encontra-se, como as plantas parasitas, sustentando-se graças à vida de outras raízes e de outras árvores. Isso explica por que muitas pessoas perderam a memória de seus próprios dias, ou seja, a recordação de inúmeras coisas que, aprendidas durante a vida, poderiam servir-lhes de guia para o futuro, mas das quais não guardam vestígio algum na memória, porquanto sua consciência permaneceu alheia a elas.
Coisa bem diferente acontece quando a consciência, que chamamos raiz da existência, se nutre com todos os elementos que lhe são oferecidos pela Criação, de onde ela mesma surgiu. As coisas do passado vivem no presente, tal como se a vida as houvesse imantado para não esquecer um só detalhe de tudo que lhe possa ser útil no futuro.
Muitas pessoas perderam a memória de seus próprios dias
A árvore que viu a luz de milhares de dias, que esteve presente durante épocas inteiras, não pode narrar tudo o que aconteceu no transcurso dessas épocas. O homem, diferentemente, embora seja testemunha, como a árvore, dos fatos que vão ocorrendo ao longo de sua vida, pode conservar a recordação nítida de tudo aquilo que rodeou sua existência e narrar esses fatos.
A consciência, animada pelos conhecimentos que nela são registrados, é tanto mais pródiga ao chamado da inteligência para auxiliá-la na recordação do que necessita, quanto mais ricos são os cultivos do saber realizados pelo ser.
A importância fundamental de tudo o que se grava na consciência será por nós estimada se tomarmos como exemplo o caso de dois seres, um que passou sua vida sem fazer nem pensar nada e outro que, no mesmo número de anos, cultivou seu espírito, pensou e realizou muito. Se fôssemos ler o que nos podem dizer essas duas vidas, constataríamos que na primeira não há nada escrito, tal como se não houvesse existido, enquanto na segunda encontraríamos impresso, com caracteres inapagáveis, o que pensou e realizou. Igualmente, pode-se computar em séculos, anos, dias, horas, o valor da vida, tendo sempre por base os dois exemplos citados: o daquele que nada pensa e nada faz e o de quem torna fértil sua existência, esforçando-se em ser útil a si mesmo e à humanidade.
Trechos extraídos de artigo da Coletânea da Revista Logosofia Tomo 2 p. 239
segunda-feira, 23 de dezembro de 2013
A confiança em si mesmo
A confiança em si mesmo
Por Carlos Bernardo González Pecotche (Raumsol)
Sempre se viu, por exemplo, a muitos decidirem empreender uma obra, grande ou pequena, e mais tarde abandoná-la pela metade, amiúde para empreender outra, ou outras, que também ficam truncadas, sem que exista uma explicação que justifique essa mudança de conduta, adotada, precisamente, para modificar as próprias decisões.
Pois bem; isso obedece, na maioria dos casos, à insegurança dos pensamentos alojados na mente; e se há tal insegurança, logicamente é porque eles não são fruto da concepção própria. Pensamentos de toda índole desempenham ali um papel preponderante, sendo muitos deles, às vezes, alheios aos motivos de preocupação em que o ser se acha absorvido.
Querer é poder quando o que se quer se sente profundamente
Ao contrário disso, quando se empreende uma obra e ela é levada a bom termo, é porque as reflexões foram bem amadurecidas antecipadamente, e a inteligência favoreceu o projeto graças à esmerada elaboração do plano a ser realizado. Em tais circunstâncias, o ser pode ter confiança e segurança nas diretrizes próprias, e dificilmente acontecerá que deva abandonar o trabalho começado, desde que antes de iniciá-lo tenha tomado, repetimos, todas as medidas que possam contribuir para assegurar o êxito na empresa.
Muitas vezes, um simples desejo mental, promovido por um ou outro pensamento, leva o homem a realizar coisas que, por não haverem sido devidamente pensadas, fracassam quase em seu início.
O pensamento executor de uma obra deve ter, necessariamente, raízes na consciência, pois é dela que o ser haverá de se valer toda vez que se sentir debilitado.
Diante do que ficou dito, temos de admitir que os mais capacitados são os que triunfam, levando seus projetos a uma feliz culminação. A capacidade compreensiva é, pois, imprescindível em todos os atos do pensamento, e é para ela que a vontade deve sempre apelar, a fim de não se debilitar em plena ação.
Trechos extraídos de artigo da Coletânea da Revista Logosofia Tomo 1 p. 137 e 138
domingo, 22 de dezembro de 2013
A dificuldade de expor o pensamento
A dificuldade de expor o pensamento
Por Carlos Bernardo González Pecotche (Raumsol)
Toda pessoa que carece de rapidez mental e não pode, além disso, expor seus pensamentos com clareza, dificilmente avança no caminho da vida, desta vida em que tão necessário é manter ágil o entendimento nas inúmeras circunstâncias que amiúde devem ser enfrentadas. Se se trata da vida dos negócios, bem sabemos quão indispensável é uma mente desperta e uma palavra fácil para encarar as mil situações que não admitem lentidão nem no pensamento, nem na palavra, nem na ação.
O mesmo acontece em todas as outras ordens da vida: um candidato, por exemplo, que vai em busca de um emprego, tem, se não sabe expor seu pensamento com clareza e rapidez, uns noventa e nove por cento de probabilidades a menos, se comparado a quem sabe fazê-lo melhor; nas tarefas de governo e, enfim, onde quer que o homem ou a mulher devam desempenhar funções de alguma importância, é igualmente imprescindível possuir essa facilidade na exposição do pensamento.
De que ou de onde provém tal deficiência ou anormalidade? Vejamos: é costume generalizado dos pais cortar a atitude espontânea dos filhos quando estes, seja na alegria, seja na dor, querem expor o que pensam ou sentem. Em geral se faz a criança calar imperativamente, admoestando-a, ou não admitindo que ela diga o que de antemão já se sabe que vai dizer; pior ainda se é para desculpar-se de alguma falta cometida. Isso cria um complexo de inferioridade, quer dizer, apodera-se da alma infantil uma espécie de timidez e temor à medida que tais passagens se repetem, e os pensamentos e palavras vão ficando entrecortados, como se as peças da razão se fossem travando umas com as outras.
Na juventude, ainda que de forma um tanto atenuada, acontecem análogas situações, que os mais ousados conseguem impedir, mas não os que foram oprimidos na infância por essa contrariedade.
É tal o hábito que esta deficiência impõe ao ser, que em muitos casos, já homem, fala como se não precisasse completar suas frases, na crença, sem dúvida, de que quem o escuta captou de antemão o que ele queria expressar. Procura fazer com que os demais entendam por antecipação o pensamento que resiste a ser pronunciado. Daí os tantos mal-entendidos com seus semelhantes, tantas contradições, sem que na maior parte das vezes ele possa explicar para si mesmo a que obedecem.
Buscar a forma de eliminar do ser humano essa anomalia psicológica, reeducando seu caráter até alcançar uma total emancipação da timidez que o oprime, é aplainar o caminho a todos os que sofrem as conseqüências de causas que, alheias ao bom sentir do coração, foram sendo repetidas de geração em geração, sem que se conseguisse descobrir em que consistia esse mal que tantos desassossegos e desditas sempre causou ao indivíduo.
Trecho extraído de artigo da Coletânea da Revista Logosofia Tomo 1 p. 241 a 243
sexta-feira, 20 de dezembro de 2013
O ser que todos nós temos esquecido
O ser que todos nós temos esquecido
Por Carlos Bernardo González Pecotche (Raumsol)
Existe um ser a quem todos, sem exceção, têm esquecido; se foi recordado uma vez ou outra, foi de forma circunstancial, mas essa recordação fugaz não cumpre o objetivo a seguir assinalado, razão pela qual há que se declarar seu geral esquecimento.
Esse ser é a criança que cada um de nós foi, que nos proporcionou os melhores dias da existência e a quem, poderíamos dizer, devemos grande parte do que agora somos.
Podemos pensar, se assim você quiser, que o adulto é a continuação da criança, mas no que nunca se pensa é que a criança morre no momento em que nasce o homem. Agora, eu lhe pergunto: quais são os que recordam a criança morta? Durante seus dias maduros, quais os que tributam a homenagem de seus sentimentos a essa criança que só vimos com os olhos da inocência? No entanto, quanto suaviza os duros transes da vida a evocação dessa terna idade, sobretudo quando devemos cruzar caminhos infectados de perigos!
É necessário recordar a criança que um dia fomos
Quem pensa nessa criança e a contempla através de suas recordações, observando-a em suas brincadeiras, em seus pensamentos, em suas inclinações e em sua inocência, verá quanto tem a aprender com ela e quanto lhe deve; mais ainda: quanto deveria conservar daquele pequeno ser para que hoje, grande em tamanho e em idade, lhe seja permitido pelo menos experimentar algumas daquelas inocentes, porém gratas sensações que deram à sua vida as melhores horas.
Seria bom que cada um recordasse essa criança, a que foi, a que morreu. Que a recordasse muito, porque nessa recordação vai implícito o enlace da atual existência com a que se foi, pois o esquecimento destrói não só o vínculo que as une, mas também a própria sensibilidade.
São muitas as reflexões que acodem à mente quando a recordação converge para a criança; mas é necessário evocá-la com freqüência, para que nos inspire coisas sobre as quais até aqui não havíamos pensado.
Se esquecemos nossa própria criança, aquela que morreu, cometemos com isso, talvez sem querer, um crime simbólico: morrerá também o jovem e, sucessivamente, o que somos ou fomos em cada idade. Assim se irá esfumando no esquecimento e, sem que a sintamos, morrerá em nós, lentamente, toda a nossa vida.
Trechos extraídos do livro Diálogos, p.173
www.logosofia.org.br
quinta-feira, 19 de dezembro de 2013
O que não se aprende nas universidades
O que não se aprende nas universidades
Por Carlos Bernardo González Pecotche (Raumsol)
Em geral, o ser humano ignora que, além da instrução que recebe – compreendendo até mesmo a mais esmerada educação e a ilustração que é possível obter na universidade em matéria de especialização técnica e científica –, existem uma cultura e uma ciência cujos conhecimentos, não sendo semelhantes aos ministrados nos centros oficiais de estudo, têm de ser adquiridos fora deles, pelo esforço pessoal e dedicação intimamente estimulados e postos a serviço de um ideal cuja concepção escapa às considerações e juízo correntes.
Para empreender tarefa de tão vastos alcances, nada se deve ignorar do que concerne à própria constituição psicológico-mental e, além disso, cumpre conhecer profundamente o mistério dos pensamentos; mistério que deixará de sê-lo tão logo a inteligência atue sobre eles, dominando-os e fazendo-os servir aos propósitos de uma cabal superação, isto é, tão logo o ser esteja capacitado para proceder a um reajustamento consciente e efetivo de sua vida.
Não será possível ao homem, por mais empenho e boa vontade que ponha nisso, criar dentro de si uma nova individualidade, com características que a façam superior à que possui, se não adquirir e utilizar para esse fim conhecimentos como os oferecidos pela Logosofia, que constituem toda uma especialidade.
Dizemos que constituem uma especialidade porque são de índole ou natureza diferente se comparados aos conhecimentos de uso corrente; de uma diferença substancial, pois compreendem um sistema ainda desconhecido para o mundo da ciência. Se estivessem em seu acervo, sem dúvida, já teriam sido empregados.
Tais conhecimentos promovem no espírito humano um novo gênero de vida, que proporciona enormes satisfações e permite colocar o entendimento muito acima da conduta comum e das apreciações generalizadas. É fundamental sua força estimulante e construtiva; estimulante, pelos benefícios imediatos que traz; construtiva, porque organiza a vida, a fim de cumprir ciclos de evolução muito superiores ao processo lento que a humanidade tem seguido até agora.
Um dos fatos salientes da preparação logosófica é aquele que garante que esta nova ciência, ao bastar a si mesma, poupa o estudante de toda sobrecarga mental que poderia resultar da constante consulta a fontes de outra origem, cujas águas, turvadas pela confusão de idéias opostas entre si, também poderiam contribuir, sem trazer vantagem alguma, para fomentar a dúvida e o ceticismo diante dos problemas do espírito e da natureza.
Trechos extraídos do livro Logosofia, Ciência e Método págs. 19 a 21
O que não se aprende nas universidades
Por Carlos Bernardo González Pecotche (Raumsol)
Em geral, o ser humano ignora que, além da instrução que recebe – compreendendo até mesmo a mais esmerada educação e a ilustração que é possível obter na universidade em matéria de especialização técnica e científica –, existem uma cultura e uma ciência cujos conhecimentos, não sendo semelhantes aos ministrados nos centros oficiais de estudo, têm de ser adquiridos fora deles, pelo esforço pessoal e dedicação intimamente estimulados e postos a serviço de um ideal cuja concepção escapa às considerações e juízo correntes.
Para empreender tarefa de tão vastos alcances, nada se deve ignorar do que concerne à própria constituição psicológico-mental e, além disso, cumpre conhecer profundamente o mistério dos pensamentos; mistério que deixará de sê-lo tão logo a inteligência atue sobre eles, dominando-os e fazendo-os servir aos propósitos de uma cabal superação, isto é, tão logo o ser esteja capacitado para proceder a um reajustamento consciente e efetivo de sua vida.
Não será possível ao homem, por mais empenho e boa vontade que ponha nisso, criar dentro de si uma nova individualidade, com características que a façam superior à que possui, se não adquirir e utilizar para esse fim conhecimentos como os oferecidos pela Logosofia, que constituem toda uma especialidade.
Dizemos que constituem uma especialidade porque são de índole ou natureza diferente se comparados aos conhecimentos de uso corrente; de uma diferença substancial, pois compreendem um sistema ainda desconhecido para o mundo da ciência. Se estivessem em seu acervo, sem dúvida, já teriam sido empregados.
Tais conhecimentos promovem no espírito humano um novo gênero de vida, que proporciona enormes satisfações e permite colocar o entendimento muito acima da conduta comum e das apreciações generalizadas. É fundamental sua força estimulante e construtiva; estimulante, pelos benefícios imediatos que traz; construtiva, porque organiza a vida, a fim de cumprir ciclos de evolução muito superiores ao processo lento que a humanidade tem seguido até agora.
Um dos fatos salientes da preparação logosófica é aquele que garante que esta nova ciência, ao bastar a si mesma, poupa o estudante de toda sobrecarga mental que poderia resultar da constante consulta a fontes de outra origem, cujas águas, turvadas pela confusão de idéias opostas entre si, também poderiam contribuir, sem trazer vantagem alguma, para fomentar a dúvida e o ceticismo diante dos problemas do espírito e da natureza.
Trechos extraídos do livro Logosofia, Ciência e Método págs. 19 a 21
quarta-feira, 18 de dezembro de 2013
Por que sou o que sou
Por que sou o que sou?
Por Carlos Bernardo González Pecotche (Raumsol)
Muitos continuam sendo o que são até o final de seus dias, ignorando a existência em si mesmos de tão extraordinária potência transformadora e assimiladora.
A árvore é como é porque não tem consciência de seu poder fertilizante, nem de sua condição de existência animada. Carente de mobilidade, ela nasce, vive e morre no mesmo lugar, e só é sensível às mudanças de estação ou aos fatores que contrariam a normalidade de suas funções naturais. O animal a sobrepuja por sua organização biológica e suas possibilidades de movimento e configuração instintiva; porém, ao não conter em si possibilidades conscientes, cumpre o mesmo destino prefixado para sua espécie.
O ser humano, por sua própria vontade e inteligência, pode, ao contrário, transformar sua vida, superar sua própria espécie e alcançar, pela evolução consciente, os graus mais altos da perfeição, meta ideal em cuja cúspide a alma encontra desvelados para si os mistérios que antes a preocuparam e que, por serem indecifráveis para a inteligência comum, a mantiveram na ignorância, sem conhecer, e muito me¬nos compreender, o Pensamento Criador de toda a existência universal. Mas esse poder permanece latente, is¬to é, sem possibilidade de manifestação dentro do ser, enquanto não tome contato com uma força superior que o desperte do letargo interno.
Força superior é a que emana de inteligências supersensíveis, assistidas pela Lei da Sabedoria e facultadas para promover, em outras, fases de conveniente desenvolvimento, em ordenadas e pacientes aprendizagens.
O ser, despertado para realidades da índole citada, sente – e deve senti-lo por imperiosa lei de freqüência e de colocação – que se acendem nele novas luzes. São elas, pois, que haverão de iluminar-lhe o caminho, permitindo-lhe descobrir dentro de si mesmo possibilidades de um tipo diferente.
Quem quiser chegar a ser o que não é deverá principiar por não ser o que é
Ao conectar-se à força superior a que me referi, serão despertadas, por lógica gravitação de sua influência, as potências adormecidas do entendimento. Isso ocorrerá à medida que o processo transformador se vá realizando, e que a consciência se afirme numa fase plenamente evolutiva, não esquecendo que "Quem quiser chegar a ser o que não é deverá principiar por não ser o que é", como adverte o princípio logosófico.
Deixar de ser é deixar de existir, chame-se a essa existência de ser vivente, estado psicológico, estado de cons¬ciência, de coisa, de tempo ou de lugar; é fechar um capítulo da existência para abrir outro, no qual se começa a ser de outro modo.
Fácil será compreender, agora, que dizer "Por que sou o que sou?" vale tanto como dizer: "Ainda não tentei ser outra coisa". Muito prontamente, porém, você deixará de ser o que é, se se propuser mudar as velhas modalidades por outras novas e melhores, e, sobretudo, se começar a viver uma vida de enriquecimento moral, intelectual e psicológico capaz de mudar a anterior, que, ao que parece, já não satisfaz a seu entendimento.
Trechos extraídos do livro Diálogos págs. 160 e 161
terça-feira, 17 de dezembro de 2013
O amor de mãe, uma manifestação mística da alma
O amor de mãe, uma manifestação mística da alma
Por Carlos Bernardo González Pecotche (Raumsol)
Encontramos manifestada a mística no amor de mãe, puro e excelso. Ninguém poderia dizer que esse sentimento da alma materna contém a menor parcela de caráter religioso; é o culto místico ao sangue, ao prolongamento da própria existência na extensão do tipo psicológico e moral que cada um contém, e que alcançou em sua rude luta evolutiva.
Surpreendemos também a expressão mística no amor filial e, com menos intensidade, no afeto fraterno. O fervor do filho ao venerar seus pais emerge do caráter íntimo e inexprimível da natureza do vínculo, com o aspecto místico surgindo da qualidade incomparável e insubstituível do afeto que o anima.
O próprio amor, que busca no afeto conjugal a mútua identificação do pensar e do sentir, e faz florescer a sensibilidade humana em delicadas expressões de ternura e simpatia, é outra das manifestações místicas que com maior força expressiva emocionam o espírito.
Vejamos agora como a mística, atuando como força constitutiva da natureza humana, influencia a razão para evitar a turbação do juízo e situar o critério dentro do plano da sensatez, toda vez que de seu uso dependam consequências que, direta ou indiretamente, afetem a paz da consciência.
A família é o templo sagrado onde cada ser humano aprende, no amor a seus pais e irmãos, a amar a Deus e a seus semelhantes, e é, ao mesmo tempo, a oficina insubstituível onde se forjam as bases da unidade humana
Diante da falta cometida pelo filho, a quem se repreende com severidade, faz com que brote do sentimento a indulgência, que modera o impulso repressivo. O afeto, expressão mística do sentimento, suaviza aqui as reações violentas da razão, fazendo com que esta permaneça inofensiva.
Em seu afã de ser estrita ao julgar, a razão frequentemente esquece que aquilo que ela julga deve ser primeiro relacionado com as próprias e similares circunstâncias. Colocada nessa condição, a tolerância surge instantaneamente, e o juízo é elaborado com equanimidade. Eis aqui a mística atuando sobre a razão, para que ela deixe de ser fria e, tomando o calor fertilizante que emana dos raios da lógica, se manifeste em juízos comedidos, isentos de passionalismo, atenuados pela temperança e pelo senso de justiça.
A atitude mística, para que seja tal, deve inspirar-se no mais alto sentido do bem, do belo e do justo; o contrário é o absurdo, a negação e o extravio.
Trechos extraídos do livro O Mecanismo da Vida Consciente
segunda-feira, 16 de dezembro de 2013
A mística, atitude sensível da alma
A mística, atitude sensível da alma
Por Carlos Bernardo González Pecotche (Raumsol)
A mística, atitude sensível da alma
Sendo a essência de um sentir espiritual, a mística manifesta-se livre e espontaneamente no íntimo de cada ser. O temperamento místico é inato na alma humana, e adquire seu sentido ideal quando expressa a aspiração de identificar-se com a alma universal.
No próprio instante em que toma contato com a vida – ao nascer –, o ser pronuncia sua primeira exclamação mística: é o grito incontido do primeiro triunfo sobre sua natureza. Repete-a pela última vez – mentalmente, caso não possa com os lábios – no momento de deixá-la, ao fechar os olhos para a luz do mundo.
A mística desenvolve-se no homem segundo seus sentimentos. Quanto maior é a evolução, tanto mais íntima, delicada e sublime é a pureza de expressão na atitude culta e respeitosa do indivíduo.
Quem já não pensou, nos momentos de dor ou de sofrimento agudo, em ser mais bondoso, generoso e tolerante com os demais?
Ao submergir-se nas profundidades de seu ser, para perscrutar os desígnios de sua vida, e emergir depois na superfície da consciência resplandecente de júbilo, o homem não pode se sentir nada menos do que maravilhado diante do supremo pensamento que animou sua existência. Essa mesma sensação de encantamento e esplendor, ele a experimenta diante de tudo o que comove sua inteligência; do que transcende o vulgar e fácil; diante da inefável pureza do belo, do heróico e do grande, seja em gestos, em fatos ou façanhas, e, enfim, diante de tudo o que, de uma ou de outra maneira, o incline a render um culto e uma estima que não se sente inspirado a tributar senão ao que promove o pronunciamento de seu espírito. Isso não é outra coisa que aquilo que deriva da mística em sua essência mais pura.
Todas as reações naturais da sensibilidade diante do que exalte a consideração humana, maravilhe a razão ou estimule fortemente a consciência merecerão o conceito de expressões místicas.
Os atos de abnegação, a caridade inteligentemente interpretada, que não malogra seus frutos, a cordialidade expressa na amizade leal e sincera, são outros tantos aspectos do verdadeiro enraizamento da mística na alma humana. E o são porque essas atitudes revelam a presença, no homem, de sentimentos que expressam ou tornam manifesto o mais puro e sublime de sua natureza. Poder-se-ia dizer que tais atitudes ascendem ao divino, uma vez que ultrapassam o plano das manifestações habituais.
A dor, o sofrimento, são também expressões místicas, quando aquele que os suporta experimenta o doce benefício que provém do bálsamo interno extraído da resignação, a qual, ao mesmo tempo que engendra a paciência, neutraliza os impulsos do desespero. Além disso, quem já não pensou, nos momentos de dor ou de sofrimento agudo, em ser mais bondoso, generoso e tolerante com os demais? Não foi e continua sendo a dor o que modifica e modera os temperamentos mais irrefreáveis, os caracteres mais incorrigíveis? Não é o padecimento o que se encarrega de fazer compreender – e ainda emendar – os desastres morais que seus excessos provocam? Quantas coisas são negadas pela soberba – que é a própria incompreensão –, mas que o ser se sente prodigamente inclinado a outorgar em seus momentos de dor, inclusive tudo quanto tem, se com isso fosse possível eliminar seu padecer! São místicas ou não essas atitudes? São místicas, com efeito.
Trechos extraídos do livro O Mecanismo da Vida Consciente, p.111
domingo, 15 de dezembro de 2013
Um lugar para todos
Um lugar para todos
Por Carlos Bernardo González Pecotche (Raumsol)
Parece mentira, por tratar-se de algo inconcebível, que, sendo a Natureza tão pródiga e a Terra tão vasta, ainda não tenha sido possível encontrar um lugar onde cada homem possa viver sem necessidade de disputá-lo constantemente com outros, por não se ter achado até hoje a forma de garantir, mediante rígidas leis humanas, a ordem, a justiça, o direito e a liberdade de cada indivíduo e, por conseguinte, de todos os povos que habitam e constituem o mundo.
O contraste que existe entre a vida do campo e a da cidade parece querer indicar que, quanto mais o ser humano se afasta do contato com a Natureza, mais se artificializa e automatiza
O contraste que existe entre a vida do campo e a da cidade parece querer indicar que, quanto mais o ser humano se afasta do contato com a Natureza, mais se artificializa e automatiza, perdendo, assim, grande parte de seu aprumo e generosidade. Daí que seja dado ver, muitas vezes, até onde chegam os egoísmos e os pensamentos com marcantes matizes de violência, que caracterizam a intolerância.
Se cada um buscasse seu lugar para viver no mundo e se achasse tão feliz de ocupá-lo quanto de ver os demais ocupando felizes os seus, a vida se tornaria plácida e grata para todos; mas bem vemos, por toda parte, claros indícios da comoção que hoje os homens experimentam, por querer mais do que lhes corresponde, ou por pretender ser mais do que em realidade são. Diante desse quadro de incompreensão humana, diríamos que haverão de estilhaçar-se todos os esforços em prol de um aperfeiçoamento in crescendo das leis e das instituições; entretanto, não é assim, visto que, à medida que se criam as dificuldades, surge a exigência de soluções que o homem deve buscar por todos os meios a seu alcance, a fim de fazer frente às consequências de seus erros ou desvios. Isso propiciará a sustentação de novas formas que conferem as necessárias defesas para o gênero humano, em sua condição de seres superiores a todos os que habitam o orbe. Dessa maneira, chegará o dia em que poderá haver um lugar para cada um na Terra, sem que deva ser disputado pelo semelhante.
O advento dessa era se dará quando o homem souber compreender qual é seu lugar no meio em que vive, na sociedade que integra e, enfim, dentro do próprio mundo onde cada ser, sem perigo de se equivocar, haverá de alcançar a consciência da posição que lhe cabe assumir.
Trechos extraídos do artigo da Coletânea da Revista Logosofia, Tomo 1 p. 205
sexta-feira, 13 de dezembro de 2013
A importância do ato de pensar
A importância do ato de pensar
Por Carlos Bernardo González Pecotche (Raumsol)
Cada um pode fazer um inventário dos bens espirituais, morais e mentais que possua. Nele aparecerão tudo o que foi realizado, todos os projetos e ideias concebidas, na certeza de que não ocorrerão omissões. Ao revisá-lo, será fácil fazer uma avaliação cuidadosa e resolver cada situação, deixando-o atualizado. Será preciso pensar em tudo o que se observou e experimentou e formar essa imagem, projetando-a para o futuro, através dos dias, meses e anos.
Há muitos que não pensam em nada. Se nada pensam, se não convivem com pensamentos que favoreçam sua evolução, como podem, então, pensar em progressos? Como podem conquistar conhecimentos e penetrar nas profundezas do ignoto, se não fazem esforço algum para mover as rodas de sua própria vida?
Não se deve esquecer nunca a mão generosa e amiga, estendida para ajudá-los, nem o conselho oportuno que lhes permite evitar dificuldades e transcender obstáculos. Esse é o meu trabalho constante, que chega a todos, embora nem todos o vejam.
A Sabedoria logosófica é um manancial inesgotável de conhecimentos; frente a ela, devem abrir e preparar as inteligências, a fim de permitir à mente captar, sem se equivocar, as grandes verdades contidas em cada ensinamento.
A atividade faz desenvolver as aptidões e compreender a vida com maior amplitude
É aconselhável, pois, que se preocupem em andar, em ter atividade, em realizar um trabalho construtivo porque, no desempenho dessa atividade as aptidões se desenvolvem, se põem em prática os ensinamentos e se experimenta a realidade que cada um deles assinala à medida que se avança, ajudando a compreender a vida com maior amplitude. Mas é necessário trabalhar, pensar; pensar sempre em algo útil, pensar positivamente. É conveniente consultar diariamente a si mesmo sobre o que se fez, para ter um sono tranquilo e reconfortar o espírito.
O descanso é bom – em particular no que se refere à vida e atividade dos pensamentos, principalmente –, sempre que for precedido por um intenso período de atividade; não sendo assim, o descanso costuma produzir mais cansaço que a própria atividade.
As horas da vida devem ser vividas como se fossem minutos, tratando de fazer muitas coisas em cada um deles, ou ao menos uma; assim, em uma hora, serão sessenta. Tudo se faz quando se quer, pois já sabemos que não há dificuldade quando nos decidimos por fazer algo. Mas não convém buscar as coisas fáceis; é necessário provar a capacidade no difícil. Isto permitirá observar, com maior exatidão, as mudanças favoráveis que cada um consegue em seu processo de evolução consciente.
Trechos extraídos do livro Introdução ao Conhecimento Logosófico, p. 289
www.logosofia.org.br
quinta-feira, 12 de dezembro de 2013
Recorde estas palavras...
Recorde estas palavras...
Por Carlos Bernardo González Pecotche (Raumsol)
Um pai velava o doce sono de seu filho, de tenra idade, e, inspirado no amor que lhe professava, escreveu para ele estes conselhos:
“Alimente-se. Nutra seu corpo; que ele seja vigoroso e flexível. Todo o seu organismo deve vitalizar-se dia após dia.
Brinque. Em suas brincadeiras surgirá em cena um mundo em miniatura, que obedecerá a todos os seus desejos.
Seja ordenado. Depois de brincar, não deixe esse minúsculo mundo jogado por aí, para que outros, seus pais ou irmãos, tomem conta dele e o entreguem a você no dia seguinte para sua diversão.
De noite, quando for dormir, leve alguma dessas coisas que você toma como personagens de seu mundo: aquela de que mais goste e que lhe seja mais simpática. Segure-a junto de si até dormir. Ela o guiará em seus sonhos e será sua intérprete.
Seja esmerado no vestir e asseado em tudo.
Nunca se apegue demais a seus trajes, mas conserve-os sempre em bom estado. Quando ficarem pequenos ou se desgastarem, eles lhe serão substituídos.
Obedeça a seus pais e não reclame mais que o necessário. Quando lhe disserem que você não tem razão, ceda e acalme-se. Algumas vezes você a terá, e outras não.
Acrescente ao que foi dito mais o seguinte:
Estude. Seu espírito necessita do alimento com que se há de nutrir. Sua mente também necessita nutrir-se. Não se prive desse alimento tão indispensável para completar seu desenvolvimento físico e psicológico.
Seja dócil a tudo quanto lhe for indicado para seu bem.
Obedeça ao professor que lhe ensina, e cumpra com todos os seus deveres.
Mesmo quando você for obrigado a interromper suas brincadeiras preferidas, conserve sempre o bom humor e a paciência.
Cuide que a inocência de seus primeiros anos não sofra mudanças bruscas.
Afaste seus olhos daquilo que fira sua sensibilidade infantil e não dê ouvidos a palavras néscias ou torpes.
Selecione seus amiguinhos. Procure as boas companhias.
Pergunte a seus pais, ou aos que cuidem de sua instrução, tudo quanto você queira saber, mas não seja curioso distraindo sua atenção com coisas que não interessam.
Seja cuidadoso com seus livros e anote tudo aquilo que aprender. Você evitará, assim, muitos esquecimentos.
Acostume sua mente a não mentir, embora você deva sofrer por isso muitas injustiças. Quando você for maior, ensinarei como deve se defender dos que mentem para prejudicá-lo.
Refreie quanto puder seus impulsos. Seja enérgico sem ser violento. Seja justo sem ser exigente. Seja tolerante com as faltas dos outros e reprima as suas com rigor.”
Trechos extraídos do livro Intermédio Logosófico p. 129
quarta-feira, 11 de dezembro de 2013
O valor de um conselho
O valor de um conselhoPor Carlos Bernardo González Pecotche (Raumsol)
O valor de um conselho
Encontrava-me, sendo criança, em uma estância e, como todas as crianças, gostava de me afastar das casas e correr pelos campos. Um dia, saí montado em um petiço, com o propósito de ir até um rio muito distante, ao qual para chegar, tinha que atravessar montes e serras. Andando um pouco, encontrei no caminho o capataz da estância, acompanhado por alguns camponeses, que ao ver-me, perguntou amavelmente aonde ia; ao responder que me dirigia ao rio, disse-me:
– "Para chegar ao rio, terá que passar por três porteiras; tenha cuidado, menino, porque ali existe gado bravo, e quando vê gente nova é capaz de atacar".
Eu já tinha ouvido falar dessa boiada, mas mesmo assim decidi continuar o caminho. As porteiras que tinha que cruzar para chegar ao rio eram dessas antigas, cujos paus horizontais, superpostos, se introduzem nos orifícios de dois postes verticais colocados em ambos os lados do caminho.
Ao passar pela primeira, lembrei-me da recomendação do capataz, o qual me havia dito que a deixasse aberta ou só com o pau inferior colocado, para o caso de que a boiada corresse atrás de mim. Quando atravessei a segunda, esqueci-me da recomendação e afastei-me após ter fechado a porteira com todos os paus; ainda bem que ouvi, próximo, um burro zurrar, e crendo que fosse um leão, ou algo parecido, rapidamente voltei para tirá-los. Ao passar a terceira porteira, já próxima do rio, também tirei os paus.
Descia o vale, quando vi, de repente, a boiada pastando tranquila. "É a isto que chamam de gado bravo?" – disse-me, ao mesmo tempo em que decidia passar no meio dele. Não havia transcorrido um minuto, quando um touro enorme, que me pareceu de vinte ou trinta metros cúbicos, levantou a cabeça, olhou-me e, em seguida, começou a correr na minha direção e, com ele, todos os demais. Então sim, vi o perigo e fincando as esporas nas ilhargas do meu petiço, passei como um bólido pelas porteiras. Vendo que levava vantagem, ao chegar à última detive-me para fechá-la e deter, assim, a passagem das bestas.
Passado o mau momento, instantaneamente me recordei do capataz. Emocionei-me; enchi-me de ternura e compreendi quanto bem me havia feito sua palavra; uma palavra humana, uma advertência... Recordo que, quando lhe referi o ocorrido, me disse:
– "Ah! jovem, você se salvou porque tirou os paus da porteira. Meu filho foi morto por essa boiada."
A gratidão aguça o ouvido e faz sentir o mal muito antes que chegue.
Compreendi, nesse instante, quanto pode encerrar uma palavra e como penetra quando é dita para fazer o bem; compreendi, também, que esse homem tinha querido salvar em mim o seu próprio filho, e isto jamais pôde apagar-se entre as tantas recordações que existem em minha vida.
Vejam agora, o que encerram algumas palavras, e recordem quantas vezes terão escutado frases similares às que disse aquele homem do campo, sem que as conservassem na memória, causa pela qual, logo depois, tiveram de passar momentos angustiosos.
Eu guardo, para todos aqueles que de uma ou outra forma contribuíram para fazer-me mais grata a vida, uma eterna gratidão, e estampo nessa gratidão a lealdade com que conservo essa recordação, a qual jamais pôde empalidecer ali onde se encerra tudo quanto constitui a história de minha vida.
Recordar o bem recebido é fazer-se merecedor de tudo quanto amanhã possa nos ser oferecido. Não esqueçam que, quando um pai dá um conselho, é porque já viveu tudo o que esse conselho encerra e que, ao expressá-lo, quer evitar ao filho o que para ele foi motivo de sofrimento ou causou-lhe danos.
Trechos extraídos do livro Introdução ao Conhecimento Logosófico p. 206
terça-feira, 10 de dezembro de 2013
A juventude no futuro dos povos
A juventude no futuro dos povos
Por Carlos Bernardo González Pecotche (Raumsol)
As inquietudes do espírito manifestam-se no ser humano quando este surpreende em si mesmo os sintomas precursores de sua genialidade. E dizemos precursores porque é muito frequente ver, após se manifestarem tais sintomas, que, caso não se revele no ânimo a vontade de estimulá-los e explorar os veios denunciadores do gênio, eles permanecem estáticos.
A essas inquietudes respondeu sempre a iniciativa particular, criando instituições e centros de estudo que fomentam o desenvolvimento das faculdades intelectuais, orientadas para diferentes campos; porém, como aqueles são organizados em entidades acadêmicas com suas rígidas fórmulas estatutárias, afastam-se, por assim dizer, do coração da juventude, pois nas Academias só penetram os eleitos, aos quais pareceria corresponder a direção quase ilimitada das questões que a inteligência propõe em todos os terrenos do saber.
Fica a juventude, assim, pouco menos que órfã da atenção que sua natureza intelectual incipiente exige dos que têm o dever de se acercar a ela e lhe prodigalizar, munidos de alta dose de paciência, afeto e compreensão, todo o calor requerido por sua débil vontade e pela fragilidade de seu caráter. Acentuamos a palavra compreensão porque é ela, justamente, a que evidenciaria os altos fins de tão elevada docência, que por certo não deve circunscrever-se à sala de aula ou ao lugar de estudo, mas também estender-se a todos os momentos e circunstâncias em que a rudimentar evolução moral e intelectual dos jovens reclame de seus mestres o auxílio do conselho e da experiência.
A relação entre professor e aluno não deve morrer ao terminar a aula
Mas a essa compreensão não se chega, de maneira alguma, como já se viu, pelo império de normas rígidas, pelos frequentes ensaios de sistemas de ensino ou pela existência da cátedra, mesmo nos estudos livres, pois a relação entre professor e aluno não deve morrer ao terminar a aula. O aluno tem que experimentar, em todo momento, a influência fecunda do ensinamento que recebe, tornando-se o professor, assim, seu melhor amigo e seu conselheiro constante. E é o próprio professor quem deve cuidar para que nada perturbe a livre manifestação do pensamento do estudante e para que nenhuma imposição arbitrária violente o jogo harmônico das faculdades que este cultiva.
Ninguém poderá deixar de reconhecer a imperiosa necessidade que existe de propiciar o incremento de todas as comunidades que se inspirem em altos princípios de bem e que orientem a juventude pelos caminhos do conhecimento integral, o qual abre as portas da vida superior e prepara os alicerces de uma civilização forte e capaz de produzir as obras mais maravilhosas da História.
Trechos extraídos da Coletânea da Revista Logosofia Tomo 2 p. 153
quarta-feira, 4 de dezembro de 2013
Leis Universais. Um nova relação de causas e efeitos
Leis universais. Uma nova relação de causas e efeitos
Por Carlos Bernardo González Pecotche (Raumsol)
Ao dar a conhecer os fatores que intervêm no que ocorre diariamente dentro do mundo interno de cada indivíduo, a Logosofia põe ao alcance do homem a chave do conhecimento causal referente à sua vida, evolução e destino. Não podem permanecer alheias a tal prerrogativa as leis universais, por serem as que sustentam os pilares da Criação e animam a vida de tudo quanto existe. É dever do homem não infringi-las e auspiciar, em todo o momento, o selo de seus desígnios, cumprindo com seus mandados, o que lhe outorga a segurança absoluta de seu amparo.
As leis sobre as quais a ciência oficial funda¬menta suas investigações e descobrimentos surgi¬ram da necessidade de ordenar o que concerne ao comportamento da atividade material ou física do organismo biológico humano e dos processos de toda espécie compreendidos na natureza, sujeitos a comprovação. Nada nos dizem com respeito às prerrogativas conscientes do homem, nem à evolução de suas possibilidades de alcançar as altas esferas do espírito.
As leis universais, sobre cujas funções a Logosofia informa, se identificam com as normas de uma ética elevada, acorde com sua natureza, cuja orientação coincide com a via de conhecimentos que, na ordem superior, o logósofo cultiva. Tais leis estabelecem uma nova relação de causas e efeitos, que permite compreender sem dificuldades o amplo panorama da existência humana, ao mesmo tempo que orientam e prescrevem normas de conduta para percorrer as sucessivas etapas do aperfeiçoamento.
Ao plasmar a imagem da criatura humana, Deus determinou para ela o cumprimento de todos os ciclos de evolução preceituados pelas leis supremas.
Convenhamos que as leis da Criação ainda são muito pouco conhecidas pela humanidade, já que, sendo elas advogados e juízes ao mesmo tempo, a maioria ignora como elas atuam e como ditam suas sentenças quando julgam. Ignorando isso, mal pode o homem conhecer os fatos de sua vida interna, capazes de ultrapassar, toda vez que uma lei se pronuncia em harmonia com as demais leis, suas mais fantásticas lucubrações.
Ao ilustrar o homem sobre o mecanismo das leis universais, a Logosofia lhe permite ajustar sua vida à realidade que elas determinam e livrar-se do vazio e da opressão moral causados por seu desconheci-mento. Começa a dominar, assim, o campo mais imediato em que essas leis atuam, que é precisamente o que cada ser ocupa, a própria vida, a vida do ser humano, e, por efeito do saber que acumula, aprende também que no Universo tudo se realiza mediante processos.
Ao plasmar a imagem da criatura humana, Deus determinou para ela o cumprimento de todos os ciclos de evolução preceituados pelas leis supremas. É lógico então que o homem, ao conhecer as leis e superar tudo o que nele é superável, vá compreendendo qual deve ser seu destino e qual sua conduta.
Trechos extraídos do livro O Espírito págs. 115 a 117
terça-feira, 3 de dezembro de 2013
A iniciativa privada
A iniciativa privada
Por Carlos Bernardo González Pecotche (Raumsol)
No curso dos tempos e à medida que a humanidade foi cobrindo suas etapas históricas de idade em idade, uma verdade permaneceu intacta, pode-se assim dizer, apesar do empenho de muitos em desconhecê-la e mesmo destruí-la.
Essa verdade, que tantas vezes, em diferentes pontos do mundo, se pretendeu negar, sobreviveu sempre, em todos os tempos, desde que o homem existe; ainda mais: sobrepôs-se a todas as emergências nas quais perigou sua existência visível no seio da sociedade humana. Referimo-nos à iniciativa privada, que é, inegavelmente, um patrimônio tão sagrado como a própria vida. Ela é o princípio de onde a mão do homem tira tudo quanto realizou desde seus primeiros dias, nos alvores do mundo. Pensamentos, ideias, grandes concepções da mente humana surgiram de cada ser, individualmente, jamais por germinação coletiva, sendo precisamente da iniciativa privada que nasce o pensamento que forja e constrói as bases da sociedade.
É pela própria iniciativa, e não por imposição alheia, que o homem constitui seu lar, trabalha e se esforça por oferecer aos seus o maior bem-estar, e é também pela própria iniciativa que depois procura estender esse bem-estar a todos que, graças à ampliação de suas atividades, se podem beneficiar, cumprido-se assim uma magnífica função social.
A grandeza de um povo se lavra unicamente com o concurso de todas as forças individuais
A iniciativa privada constitui um dos mais inapreciáveis valores que possam existir como meio de progresso e de grandeza para os povos, pois dessa particular iniciativa é que surgem as criações mais estupendas, os descobrimentos mais maravilhosos e as técnicas mais surpreendentes, que em conjunto servem de base para os grandes avanços que a humanidade realiza em todas as ordens do progresso.
Restringir ou anular a iniciativa privada não seria outra coisa que truncar toda manifestação do esforço individual. Seria privar o homem de seus melhores estímulos e obrigá-lo a enclausurar-se a si mesmo, numa espécie de abandono búdico.
A iniciativa privada, compreendendo com isso, para maior clareza de expressão, tudo quanto surge da inteligência individual, cria no homem uma noção mais exata de sua responsabilidade. Mercê de sua própria iniciativa, sabe que é o sustentáculo de sua família e trata, pelo esforço e seguindo sempre suas íntimas diretrizes, de mantê-la em níveis sociais cada vez mais elevados, segundo sejam as exigências que essa mesma iniciativa haja criado no seio de suas relações e na marcha de suas atividades. De modo que sua responsabilidade e o cuidado de seus interesses o levam a esforços sempre maiores, os quais, transcendendo o círculo familiar, chegam a estender-se ao terreno dos negócios e de toda outra atividade que dependa de suas diretrizes.
A grandeza de um povo se lavra unicamente com o concurso de todas as forças individuais, asseguradas pelo livre império da própria iniciativa, ao convergir, pelo influxo próprio de um patriotismo viril, para altas finalidades que hão de culminar em épocas de esplendor e de progresso.
Trechos extraídos da Colección de la Revista Logosofía Tomo 4, p. 113
segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
A lealdade
A lealdade
Por Carlos Bernardo González Pecotche (Raumsol)
Entre as múltiplas e variadas condições que configuram a psicologia humana, achamos a que se define pela palavra lealdade. Aprofundar esta palavra, buscando em seu conteúdo os elementos com que sua raiz se nutre, é penetrar no profundo sentido e alcance da lei que rege a vida e a força dela.
As palavras são como as pedras preciosas: nas mãos das crianças, são simplesmente pedras vistosas, ou apenas pedras; nas mãos dos mais velhos, têm elas um valor, são apreciadas, e até se anela possuí-las pelo que brilham e pelo que valem; nas mãos dos especialistas, adquirem valor ainda maior: eles as examinam e sabem de imediato quantos quilates têm e seu grau de pureza.
Como as pedras preciosas, as palavras possuem também seus quilates e seu grau de pureza. Na palavra lealdade, os quilates podem ser calculados proporcionalmente à confiança que consegue inspirar quando encarna no homem que faz dela um culto; sua pureza se mostra na bondade das intenções daquele em cuja vida ela se manifesta sem ser desvirtuada.
Ser leal aos próprios sentimentos é ser fiel à própria consciência
Tudo quanto se pode apreciar no homem em seu grau mais legítimo está encerrado nesta palavra. Pode-se dizer que ela é, em síntese, a expressão de todo o verdadeiro e sadio que existe na natureza moral e psicológica.
Sem lealdade não é possível conceber a amizade entre as pessoas, nem tampouco tornar viável uma convivência de caráter permanente e sincero.
Os sentimentos humanos existem como manifestação do sensível e puro que se aninha no íntimo de cada um. Ser leal aos próprios sentimentos é ser fiel à própria consciência. Quando se desvirtua o caráter daqueles, esta se desnaturaliza. Diríamos mais: se é certo que pode morrer algo daquilo que forma o conjunto das condições humanas, a lealdade deveria ser a última a desaparecer como qualidade que pertence ao ser.
Pode-se afirmar, sem que seja por demais ousado, que uma das causas primordiais dos múltiplos infortúnios humanos foi sempre a falta de lealdade no trato mútuo. O engano e a falsidade são duas tendências destrutivas que, em todos os tempos, atentaram contra as boas disposições do ser.
Naturalmente, para alcançar a posição de integridade que a lealdade exige, é necessário chegar a possuir uma grande confiança em si mesmo. Porém, enquanto isso não possa ser alcançado em toda a sua extensão, será de grande benefício recordar constantemente o grau de importância de que se reveste a lealdade no conceito geral, pois é o que mais se estima e o que pesa no juízo de todos.
A lealdade se caracteriza pela consciência do dever. É profissão de fé consciente que o ser faz ao sentimento que, nascido de uma amizade ou de um afeto sincero e puro, converte-se em parte de si mesmo. E, sendo assim, não poderia esse sentimento ser menosprezado sem ferir profundamente a própria vida.
As grandes almas sempre compreenderam isso; por tal motivo, foram leais a seus princípios, a suas convicções e a seus profundos afetos.
Onde a lealdade existe, reina a harmonia, a união e a ordem; o contrário de tudo isso sucede ali onde ela deixa de se manifestar.
Trechos extraídos de artigo da Coletânea da Revista Logosofia Tomo 2 p.189
domingo, 1 de dezembro de 2013
11 de Agosto - dia Internacional da Logosofia
Aproveite para tomar contato com os artigos de Carlos Bernardo González Pecotche, criador da Logosofia.
Os demais artigos foram extraídos de trabalhos realizados por logósofos, com resultados alcançados na prática dos conhecimentos oferecidos por essa ciência.
Os artigos poderão ser reproduzidos livremente desde que sejam mencionados o nome da Fundação Logosófica, o site www.logosofia.org.br e o nome de seus autores.
11 de Agosto - Dia Internacional da Logosofia
Por Carlos Bernardo González Pecotche (Raumsol)
A palavra Logosofia reúne os elementos gregos logos e sofia, que o autor adotou, dando-lhes a significação de verbo criador ou manifestação do saber supremo, e ciência original ou sabedoria, respectivamente, para designar uma nova linha de conhecimentos, uma doutrina, um método e uma técnica que lhe são eminentemente próprios.
A Logosofia é uma nova mensagem à humanidade, com palavras plenas de alento, de verdade e de clara orientação. Encerra uma nova forma de vida, forma que move o homem a pensar e a sentir de outra maneira, graças ao descobrimento logosófico de agentes causais, que, ignorados antes por ele, se manifestam agora à vista de seu entendimento, de sua reflexão e de seu juízo, da mesma forma que à sua sensibilidade.
Ciência e cultura ao mesmo tempo, a Logosofia transcende a esfera comum, configurando uma doutrina de ordem transcendente. Como doutrina, está destinada a nutrir o espírito das gerações presentes e futuras com uma nova força energética, essencialmente mental, necessária e imprescindível para o desenvolvimento das aptidões humanas. Conta com duas forças poderosas que, ao unir-se e irmanar-se, levam o homem a cumprir os dois fins de sua existência: evoluir para a perfeição e constituir-se em um verdadeiro servidor da humanidade. Uma dessas forças é o conhecimento que oferece à mente humana; a outra, o afeto que ensina a realizar nos corações.
A ciência logosófica abriu uma nova rota para o desenvolvimento humano. Seu trajeto implica uma direção definida e imodificável, em cujos trechos se cumpre, gradual e ininterruptamente, a realização simultânea dos conhecimentos que possibilitam seu extenso percurso. A dita realização abarca o conhecimento de si mesmo e dos semelhantes; o do mundo mental, metafísico ou transcendente; e o das leis universais, unindo-se a ela o avanço gradual e supremo do homem até as alturas metafísicas que custodiam o Grande Mistério da Criação e do Criador.
Logosofia: uma nova forma de sentir e conceber a vida
Ao traçar a rota e assinalar sua meta, a Logosofia se constitui em guia de todos os que empreendem seu percurso. Conta ela com o respaldo dos resultados obtidos e com o concurso de seus cultores, aqueles que já podem apresentar seu testemunho e seu saber e, por conseguinte, se acham em condições de assessorar a outros, não só nos trechos preparatórios de seu percurso, mas também naqueles que dão acesso à sabedoria logosófica, para que o círculo das possibilidades humanas se amplie até o infinito e possam, homem e mulher, encontrar em nossos ensinamentos a fonte geradora da vida superior. Com tal segurança, cada um poderá cumprir plenamente o grande objetivo de
Resumindo, diremos que aprender Logosofia é conhecer uma nova técnica para encarar a vida com auspiciosos resultados.
sua vida, isto é, a realização de seu processo de evolução consciente.
Trechos extraídos do livro Curso de Iniciação Logosófica § 5, 6, 11 e 14
sábado, 30 de novembro de 2013
Por que amamos a vida?
Por que amamos a vida?
Por Carlos Bernardo González Pecotche (Raumsol)
Muitos seres proclamam com frequência seu amor à vida, exaltando seu apego a ela nos momentos em que pressentem achar-se próximos ao final de seus dias. Porém, vejamos: sabem esses seres por que e para que amam a vida? São conscientes desse amor? São fiéis a ele? Como é esse amor: sincero, verdadeiro ou falso? Eis aí uma oportuna e conveniente reflexão prévia que fará compreender melhor o alcance deste ensinamento.
O fato de ninguém pensar nisso não impede que possamos fazê-lo nós, dando lugar, assim, a que possam pensar mais atinadamente os que ainda não o fizeram. Se, perante cada ser que valorize em algo o conceito da vida, nós nos apresentássemos com esta tríplice interrogação: “Para que você quer a vida: para reiterar o uso que fez dela, como no passado?; para reiterar o que está fazendo?; para o que fará?”, não se deterá, por acaso, para refletir com sensatez sobre o problema? Mais de um, ante sua própria consciência, não exclamará: “Que tenho feito de minha vida! Um acúmulo de misérias, cuja recordação, como as cascas de ovo, nada contém”? Que perspectivas se abrirão depois a seu futuro? Outras, talvez, que não sejam as de repetir o que foi feito no passado? Eis aí a questão.
As vidas dos que pensam, dos que se esforçam e se sacrificam pelo bem geral nos dão com eloquência a resposta
Para aqueles que carecem de um sadio conceito da vida, pouco importam as reflexões anteriores. “Queremos a vida para nos divertir”, dirão a si mesmos; “para gozar dos prazeres, da embriaguez ou da opulência, se até aí chegarmos. O resto não importa, não interessa.” Diante de semelhante quadro psicológico, comum a tantos seres, que fala com muita eloquência sobre o estado espiritual de uma grande parte da humanidade, não caberia perguntar se a criatura humana foi criada para empregar sua vida assim, dessa forma? Sua existência não encerrará uma finalidade superior? Não terá sido feita para que reproduza em si mesma os traços superiores de sua espécie, que a farão semelhante a seu próprio Criador? É possível admitir que a vida de um homem deva permanecer tão desprovida de valores? Não terá que conter elementos mais ponderáveis que seus meros apetites materiais?
As vidas dos que pensam, dos que se esforçam e se sacrificam pelo bem geral nos dão com eloquência a resposta. Por conseguinte, devemos pensar que aqueles, cedo ou tarde, compreenderão seu erro e se emendarão. Enquanto isso, o caminho se encontra aberto aos que desejam fazer de suas vidas um paraíso de felicidade.
Trechos extraídos do livro Diálogos, p. 202
sexta-feira, 29 de novembro de 2013
De frente para o futuro
De frente para o futuro
Por Carlos Bernardo González Pecotche (Raumsol)
Na Sabedoria logosófica está depositado o conhecimento que emancipa as consciências, que limpa as mentes e modela o arquétipo humano. Quanto mais se compreender a palavra desta ciência e se aplicar à vida, tanto melhor e mais fácil será a marcha do ser e mais acessíveis as verdades em busca das quais se vai. Tudo quanto obstrui, dificulta e retarda o passo dos seres humanos vinculados a meu pensamento são suas deficiências, seus defeitos e, enfim, tudo o que atenta direta ou indiretamente contra o processo de evolução consciente que se realiza sob a égide do conhecimento logosófico.
Todos têm muitas condições e qualidades boas; como não se há de sentir pena, então, quando se adverte em cada um pensamentos e atitudes que, sem anular essas qualidades, parecem escondê-las, dificultando sua manifestação?
Deficiências e defeitos todos têm: a ninguém, pois, assiste o direito de assinalá-los, exceto aquele que ensina a corrigi-los. Isto é o aconselhável, e cada um deve, discretamente, trabalhar sobre si mesmo para eliminá-los. Tampouco devem esquecer-se de que quem aponta falhas alheias, está apontando as suas próprias, seus próprios erros. Há que ser, então, dócil à palavra que corrige iluminando, que permite emendar-se sem violências e que, alternando a suavidade com a firmeza, persuade e convence, até conseguir o bem que se persegue.
E se todos aspiram a transcender o plano material, o plano comum, a fim de experimentar a ventura de elevar-se até onde almejam chegar, é preciso habituar a vontade a um constante e regular esforço na comunicação de seus íntimos desejos, com o objetivo de facilitar o desenvolvimento de suas qualidades superiores.
A humanidade chega ao fim de mais um ano em meio de agitações e perturbações de toda espécie. Vem arrastando pesadíssimas cargas e vai chegando ao cimo desta encosta saturada por enormes fadigas, sofrimentos e dores, sem se advertir de que o que fez mais grave a crise de sua marcha foram a incompreensão e intolerância comuns.
Que a luz do conhecimento logosófico permita aos homens discernir com mais sensatez sobre seus destinos, facilitando-lhes a marcha e livrando-os dessas incompreensões que só terminam em extermínio, desolação, espanto e misérias.
Ao terminar este ano, somente devemos confiar em um futuro melhor, em um amanhã mais digno da espécie humana; porém, esse amanhã terá de ser lavrado com nosso esforço, com nossa inteligência e com a sublime aspiração de um destino superior.
Que o ano que vem chegando seja para todos um motivo mais de alegria, de felicidade e de reflexão; porque os anos vão sendo cada vez mais duros, mais frios, mais curtos, tal como o tem querido a incompreensão humana. Lutemos, pois, para que os anos futuros voltem a ser cálidos, longos e ditosos para todos.
Trechos extraídos do livro Introdução ao Conhecimento Logosófico, p. 487
quinta-feira, 28 de novembro de 2013
A arte de governar - 1° parte
A arte de governar (1ª parte)
Por Carlos Bernardo González Pecotche (Raumsol)
Considera-se algo sabido, segundo a definição corrente, que política é a arte de governar. Mas, se a política fosse isto, já se teria conseguido realizar, verdadeiramente, a consumação máxima do sentido do termo. Por infelicidade, existe a esse respeito uma distância que se mantém em muitos povos da terra sem nenhuma variação apreciável.
No processo histórico das sociedades humanas, desde os tempos imemoriais até o presente, percebem-se idênticas inquietudes e idêntico afã de alcançar as posições diretivas, enquanto as organizações sofrem os vaivéns das lutas partidárias. Uma vez composta, cada agremiação política proclama aos gritos, ante as doutrinas adversárias, a qualidade insuperável de seus postulados, e cada uma, por sua parte, trata de pressionar por todos os meios a seu alcance a decisão majoritária que haverá de lhe dar o triunfo.
Mais claramente, a política poderia ser definida como a arte de chegar ao governo, pois a capacidade para desenvolver o processo do programa próprio até alcançar o fim proposto no campo da política não implica, de modo algum, a capacidade para guiar o processo dos demais.
A arte de governar, o homem começa a aprendê-la no dia em que ascende ao poder,
sempre que as tarefas, problemas e conflitos que deve atender e enfrentar lhe permitam exercer livremente, sem pressões estranhas à sua função, essa difícil arte.
A política suscita dissensões e temores, os quais raramente abandonam o governante, por mais bem intencionado que seja, porquanto as críticas ou as ideias contrárias às suas gestões de governo pareceriam impedir que se apague o fogo das paixões que mobilizaram e pressionaram as lides partidárias em plena efervescência eleitoral.
E é estranho, quase diríamos inverossímil, que um cidadão chegue à mais alta função pública sem se haver apoiado em forças populares nem contraído compromissos de todo tipo, e o conjunto dessas forças e compromissos depois reclama para si o poder de indicar rotas e decisões. Não se viu muitas vezes como os partidos políticos absorvem a vontade do chefe de Estado, impondo-lhe suas decisões e mandados? E não é por acaso o temor de ser abandonado pelos que o levaram ao poder o que faz com que ele ceda às suas exigências ou às daqueles que lhe prestaram seu concurso ou lhe serviram nos momentos febris da luta?
A nave do Estado deve sulcar águas agitadas por tormentosas correntes, cada vez que um novo capitão empunha o timão, e é de muito séria gravidade para um barco que se acha às voltas com temporais, em alto-mar, que comecem também a se agitar seus tripulantes, seja por falta de víveres, seja por questões que nunca faltam e que eclodem, geralmente, quando as situações se tornam indefinidas.
Ceder constantemente às exigências das forças populares que prestam seu apoio não implica dirigi-las, orientá-las ou encaminhá-las para finalidades superiores de governo.
Trechos extraídos de artigo da Coletânea da Revista Logosofia, tomo 2, p. 246
sábado, 23 de novembro de 2013
Preparação da mente: indispensável para transformar a vida
Preparação da mente: indispensável para transformar a vida
Por Carlos Bernardo González Pecotche (Raumsol)
Sendo a mente o principal dispositivo da psicologia humana, só nela é possível firmar a esperança lógica de poder experimentar uma mudança favorável e positiva na condução da vida para um futuro melhor, já que isso implicaria tomar contato com o conhecimento que dá ao homem o domínio dos elementos ou das forças que operam no cenário da existência humana. Esse domínio deve ser alcançado mediante contínuos esforços para não frustrar as ânsias do espírito, que busca o caminho de sua liberação pelo conhecimento. É a liberação de todas aquelas limitações que oprimem o homem e o inabilitam para possibilidades maiores no transcurso de sua caminhada pela evolução consciente; liberação da ignorância que adormece sua inteligência e das sombras que obscurecem sua razão, impedindo que o entendimento possa desfrutar a sublime felicidade que implica a posse de tão precioso poder.
Preparar a mente deve ser o alvo, o objetivo básico, e para isso terão de tender todos os empenhos da criatura humana, se quiser transformar sua vida limitada e exposta às contingências de uma luta extenuante, e predispor seu espírito a uma nova forma de vida que substitua seu destino incerto por um futuro pleno de ventura. Mas isso não se consegue pelo simples fato de ler um livro, ou dois, ou muitos, nem se aprofundando em teorias, ou seguindo métodos que não passam de belas palavras.
A Logosofia mostra que, para evitar desvios e perda de tempo,
é preciso partir de um princípio inquestionável
Este princípio, que tem de ser sem dúvida alguma o que encaminhe os primeiros passos, está determinado pela lei que rege todos os processos. Isso quer dizer que, se buscamos uma solução X, não devemos obter por resultado uma solução Y. É a incapacidade, pela ausência de conhecimento, que faz os homens se perderem no labirinto de seus próprios pensamentos e ideias.
Caso se queira edificar uma existência fértil em produções de elevado benefício, e que todas as ações estruturem um destino melhor e coloquem o homem num lugar privilegiado no conceito do mundo, deve-se começar, como indica a Logosofia, por efetuar um reconhecimento no mundo interno individual, a fim de estabelecer quais são os valores permanentes e com que capacidade de conhecimento se pode fazer uso deles.
Se alguém pretende alcançar com êxito os fins do ideal concebido, será necessário munir-se daqueles elementos que propiciem a aquisição de novos valores e permitam dirigir a evolução para um campo de maiores possibilidades. Tais elementos viriam a ser a escolha do ambiente, dos semelhantes e de todas aquelas coisas que representem, para o cumprimento dos objetivos e aspirações, os verdadeiros meios de expressão com os quais se deve conviver e até identificar a própria vida.
A Logosofia, ao oferecer os elementos básicos para a realização feliz de cada processo individual, permite que todos não apenas encontrem os meios adequados de que necessitem, mas também obtenham o estímulo necessário para tornar mais grata a tarefa que cada um se impôs.
Trechos extraídos de artigo da Coletânea da Revista Logosofia, tomo 3, p. 15
sexta-feira, 22 de novembro de 2013
A vida deve ser cuidada como um jardim
A vida deve ser cuidada como um jardim
Por Carlos Bernardo González Pecotche (Raumsol)
Apesar de serem muito numerosas as vidas que povoam este planeta; apesar de fazer tantos milênios que os homens caminham por este mundo, não se conseguiu, ainda, superar as condições que devem distinguir a espécie humana.
Os homens vivem em todas as partes do mundo: uns estudando, outros trabalhando; uns lendo, outros escutando, e outros sem fazer nada; todavia, entre a enorme quantidade de seres que se movem e cumprem suas atividades na ordem rotineira do afazer diário, promovem-se experiências instrutivas para o governo individual. Uns mais, outros menos, todos, sem exceção, devem sentir, diariamente - e algumas vezes de forma crua -, a realidade dessas experiências, cujo valor é enorme.
Pois bem; se extrai devidamente o fruto de tais experiências? Faz-se delas o uso correspondente?
Em geral não se faz uso nenhum e, quando alguém recolhe os resultados delas e os utiliza em suas atuações, o faz de forma egoísta, reservando unicamente para si os benefícios obtidos. Os que por uma ou outra causa triunfaram ou vão triunfando na vida, raramente dizem de que meios se valeram, nem que experiências lhes foram de maior utilidade para corrigir sua conduta; enfim, guardam para si o que, segundo eles, conquistaram à custa de muitos sacrifícios, de muitas preocupações ou de muitas amarguras.
Ficam assim, pois, uns e outros – visto que quem priva outros de auxílio sofre, por sua vez, as consequências do mesmo erro por parte de seus semelhantes –, em uma total orfandade, desamparados pela própria ignorância de tantos conhecimentos que se poderiam obter mediante tais experiências. Na verdade, se cada um oferecesse a seu próximo o conhecimento que delas se desprende, muitas e muito dolorosas poderiam ser evitadas.
A vida deve ser cuidada e enaltecida; deve-se cultivar todas as possibilidades que encerra e fazer delas um jardim
Eis aqui uma dessas experiências, que com frequência se reproduz: Há pessoas que passam a vida dedicadas ao culto de um valor e, quando envelhecem, se dão conta de que não era esse o único nem o melhor, nem o maior nem o que mais lhes convinha, e que ao mesmo tempo que rendiam culto a esse valor, poderiam tê-lo feito com muitos outros, consagrando a seu cultivo idêntico empenho, constância e entusiasmo.
A vida deve ser cuidada e enaltecida; deve-se cultivar todas as possibilidades que encerra e fazer delas um jardim, ainda que seja apenas para ter a ventura de recolher, de quando em quando, uma flor de cada planta que a própria mão semeou, cultivou e aperfeiçoou. O conjunto de todas essas plantas serão as obras realizadas; as flores, as consequências úteis dessas obras. Mas a planta principal, a planta humana, na qual se concentram todos os movimentos da concepção interna, essa merece o maior dos cuidados e a maior atenção, pensando, a cada dia, o que se fez por ela.
Trechos extraídos do livro Introdução ao Conhecimento Logosófico, p. 235
quinta-feira, 21 de novembro de 2013
Uma justa homenagem às mães
Uma justa homenagem às mães
Por Carlos Bernardo González Pecotche (Raumsol)
Quem são os que levam em conta certos fatos vividos, os quais, por serem os mais gratos à vida, deveriam permanecer perenemente frescos em sua memória? Muito poucos; a maioria esquece com demasiada frequência os momentos em que experimenta uma verdadeira felicidade. O instante em que, com a melhor disposição de ânimo, se presta ajuda a um semelhante, como aquele em que, ao contrário, se é ajudado, comovem profundamente o espírito.
Muitos e variados são os casos em que, como consequência do esquecimento, o homem se priva de desfrutar momentos de felicidade, possíveis ainda pela simples revivência mental. Daí que tantos, no afã de se proporcionarem esses momentos de felicidade, busquem sua obtenção por diferentes caminhos, enquanto por negligência ou ignorância deixam de criar o vínculo que lhes permitiria alcançá-los. Esse vínculo não seria outro senão aquele que provém de um fato que, por sua própria natureza, leva a experimentar a realidade de um instante feliz.
Quando o homem chega a adquirir certo grau de consciência e valoriza a força dessa verdade inabalável, sente que sua própria vida se deve, em grande parte, à gratidão. Ela é, traduzida à linguagem impronunciável, uma oferenda íntima e, ao mesmo tempo, a exaltação de uma recordação que mantém vivo, com a própria vida, o instante em que o ser experimenta tão grata felicidade.
Se cada um buscasse dentro de si a recordação das horas felizes e de tudo que foi motivo de ventura, muito seguramente encontraria mais de uma razão para deleitar o espírito nessa revivência de imagens queridas.
Como não guardar gratidão a quem cooperou para tornar mais fácil e feliz o transcorrer de nossos dias?
Para o bem recebido, provenha este de nossos semelhantes, de animais ou de coisas que rodearam ou rodeiam nossa existência, devemos guardar uma consciente gratidão. Com ela conseguiremos destruir a falsa gratidão, aquela que é tão comum e se limita a uma palavra ou uma frase expressada com maior ou menor ênfase. A gratidão consciente não necessita de expressões externas e contribui para fazer ditosa a existência, porque mediante ela se acaricia intimamente a recordação, identificando-a com a vida.
Deter por um instante, pois, o pensamento naqueles que nos proporcionaram um bem é render-lhes uma justa homenagem, da qual a alma jamais se arrepende, especialmente porque nesses instantes a própria vida parece adquirir outro conteúdo, e o ser, como se uma força titânica, sublime e cheia de ternura o impulsionasse, sente-se disposto a ser mais bondoso e melhor. Por acaso, na circunstância de tributar essa homenagem de gratidão, não se experimenta uma nova ventura, ao sentir que o fato revivido forma parte da própria vida? Totalmente contrário é o que acontece com os que, seguindo outra conduta, desprezam aquele ou aqueles que lhe fizeram um bem, sem perceberem que com isso vão mutilando suas existências, ao truncarem tenros brotos que poderiam mais tarde se transformar em ramalhetes de flores.
A gratidão, como sentimento de imponderável valor, parece ser um dos tantos segredos que o ser humano deve descobrir, para extrair dele esse bem que geralmente se busca ali onde não está e que, encontrado, se desvaloriza e se esquece.
Trechos extraídos de artigo da Coletânea da Revista Logosofia, tomo 2, p. 229
quarta-feira, 20 de novembro de 2013
Renovação interna da vida
RENOVAÇÃO INTERNA DA VIDA
Fazendo uma revisão da minha vida, senti a necessidade de reconstruí-la sobre bases reais pelo fato de sentir que ela estava baseada somente em coisas supérfluas e corriqueiras, que não me permitiram uma superação concreta em conformidade com os seus grandes objetivos.
Com os elementos de que dispunha, isto é, proporcionados pela religião que pratiquei e pela cultura comum, não consegui esse objetivo, apesar das várias tentativas.
Somente com o estudo e a prática dos ensinamentos logosóficos estou conseguindo criar uma nova individualidade e uma superação em todas as ordens da minha vida.
Ao comprovar as mudanças da minha modalidade de ser e do meu caráter, estou realizando com mais esforço e determinação a segunda parte: a de eliminar as aderências de preconceitos, de deficiências psicológicas e de crenças, visando criar uma nova imagem bem superior a atual.
Observando as minhas atuações e atitudes, percebi que os pensamentos me levavam a fazer o que não queria e me impediam, muitas vezes, de fazer o que me propunha.
Com os novos elementos adquiridos pude comprovar que devemos disciplinar os pensamentos para que eles possam ficar subordinados a nossa vontade, porque caso contrário eles atuam de uma forma aleatória e indisciplinada.
Para que pudesse ter um maior domínio sobre eles, procurei seguir a orientação do método logosófico que aconselha conhecê-los, identificá-los e selecioná-los com o objetivo de debilitar e eliminar os negativos, para que os de maior hierarquia pudessem atuar sem a interferência daqueles.
Sinval Lacerda
Para mais informações sobre a Logosofia e a Fundação Logosófica:
www.logosofia.org.br
Renovação interna da vida
RENOVAÇÃO INTERNA DA VIDA
Fazendo uma revisão da minha vida, senti a necessidade de reconstruí-la sobre bases reais pelo fato de sentir que ela estava baseada somente em coisas supérfluas e corriqueiras, que não me permitiram uma superação concreta em conformidade com os seus grandes objetivos.
Com os elementos de que dispunha, isto é, proporcionados pela religião que pratiquei e pela cultura comum, não consegui esse objetivo, apesar das várias tentativas.
Somente com o estudo e a prática dos ensinamentos logosóficos estou conseguindo criar uma nova individualidade e uma superação em todas as ordens da minha vida.
Ao comprovar as mudanças da minha modalidade de ser e do meu caráter, estou realizando com mais esforço e determinação a segunda parte: a de eliminar as aderências de preconceitos, de deficiências psicológicas e de crenças, visando criar uma nova imagem bem superior a atual.
Observando as minhas atuações e atitudes, percebi que os pensamentos me levavam a fazer o que não queria e me impediam, muitas vezes, de fazer o que me propunha.
Com os novos elementos adquiridos pude comprovar que devemos disciplinar os pensamentos para que eles possam ficar subordinados a nossa vontade, porque caso contrário eles atuam de uma forma aleatória e indisciplinada.
Para que pudesse ter um maior domínio sobre eles, procurei seguir a orientação do método logosófico que aconselha conhecê-los, identificá-los e selecioná-los com o objetivo de debilitar e eliminar os negativos, para que os de maior hierarquia pudessem atuar sem a interferência daqueles.
Sinval Lacerda
Para mais informações sobre a Logosofia e a Fundação Logosófica:
www.logosofia.org.br
terça-feira, 19 de novembro de 2013
A ajuda que se pede a Deus nos momentos de aflição
A ajuda que se pede a Deus nos momentos de aflição
Por Carlos Bernardo González Pecotche (Raumsol)
OLIVÉRIO: – Como se deve interpretar o fato de uma pessoa, no paroxismo do desespero, por exemplo, invocar a Deus e receber, em seguida, o auxílio divino que acalma sua agitação e lhe permite resistir com maior serenidade e inteireza ao momento crucial que esteja vivendo? Recebe ela de verdade essa ajuda? Seria apenas uma consequência do in¬fluxo divino da religião que professa? E, se for assim, como se explica que o mesmo bem seja alcançado com igual prodigalidade pelos que não professam religião alguma? É este um mistério no qual eu gosta¬ria de penetrar.
PRECEPTOR: – É comum observar que ninguém ou muito poucos se recordam de terem um espírito que anima a vida, o qual permanece quase estático enquanto o ser físico age movido somente pelas necessidades de ordem rotineira que a vida corrente lhe apresenta, sendo muito raras as vezes em que esse espírito tem oportunidade de comovê-lo com outros objetivos. E é precisamente nesses momentos de aflição que atormentam o ser, que aparece delineando-se uma das formas mais atraentes e sugestivas do espírito, pois este se manifesta na própria sensibilidade, respondendo ao clamor da angústia. Esse simples fato reconforta e suaviza as durezas do transe amargo, permitindo recobrar a serenidade e, depois, a calma perdidas.
Não se deve, pois, atribuir isso a nenhum milagre, nem se enganar com a crença de que se teve algum auxílio particular, oriundo da Divina Providência. Nada irrisória seria a tarefa do Criador se, pela mera invocação de cada uma das criaturas humanas, devesse Ele atender a suas demandas de auxílio. Diferentemente disso, devemos pensar que no próprio espírito do ser é onde existem recursos aos quais sem saber se apela, ao se dirigir a Deus nos momentos mais álgidos da vida.
OLIVÉRIO: – Acho inteiramente lógico o que o senhor acaba de manifestar; vejo ago¬ra que a criatura humana não é tão desvalida como se acredita, já que, até mesmo nos transes mais difíceis de sua vida, ela encontra a seu alcance o recurso salvador.
PRECEPTOR: – É mesmo assim; e se você compreende bem isso, verá então como provém de Deus, sem dúvida alguma, a grande ajuda recebida em tais circunstâncias. Mas é ali, precisamente, que reside o mistério: no fato de fazer chegar até nós esse auxílio por via indireta, ou seja, por intermédio de nosso próprio espírito, que é quem fortalece nosso ânimo, fazendo-nos experimentar não só a realidade de sua existência, mas também o rigor de sua censura, ao compreendermos que não devemos tê-lo em tão pouca conta, quando já se viu a importância que ele assume toda vez que procuramos nos elevar na busca de um consolo para nossa aflição, ou de uma luz que ilumine a vida ensombrecida pelo sofrimento.
Seria um erro pensar que, na emergência citada, Deus teria intervindo pessoalmente, e absurda é também a pretensão de crer que foi uma intervenção em particular, ao se sentir o alívio almejado. Fica bem claramente mostrado que existe no Grande Ser uma onisciência que abarca todos os âmbitos de sua Criação, achando-se o espírito, portanto, consubstancia¬do com essa força universal que obedece às leis cria¬das pela Inteligência Suprema. Um episódio da natureza do exposto não tem, pois, a menor repercussão cós-mica, como não teriam para nós repercussão de transcendência alguma os gritos de um pintinho que, fugindo de um perigo, se salvasse inesperadamente.
Trechos extraídos do livro Diálogos, p. 102
segunda-feira, 18 de novembro de 2013
Por uma hamanidade mais consciente - 1° parte
Por uma humanidade mais consciente - 1ª parte
Por Carlos Bernardo González Pecotche (Raumsol)
Quando repassamos os fatos históricos que marcaram o princípio e o fim de épocas gloriosas ou de decadência, e o entendimento se põe a meditar sobre o que cada um deles significou e significa para a reflexão dos homens, experimentamos, sem que possamos contê-lo, um sacudimento espiritual, uma alegria que vem junto a uma aflição e, sobretudo, a um anseio ardente de ser útil à humanidade.
Esse anelo é, precisamente, o que impulsiona os seres humanos para melhorar suas condições e qualidades, num amplo e generoso gesto de superação espiritual. E é nesse afã que os homens encontram seus melhores estímulos e as mais nobres inspirações de bem.
Mas a humanidade, que se agrupa em raças ou povos de diferentes idiomas, hábitos, etc., pertencentes, sem exceção, ao gênero humano, está formada por grandes massas de diversos tipos psicológicos, distanciadas entre si mental e espiritualmente, de acordo com o grau de adiantamento que umas e outras acusam, e de acordo com os costumes, crenças ou inclinações de seus pensamentos. No seu todo, isso estabelece dentro desse conjunto diferenças que às vezes culminam em antagonismos extremos, e que são causa, desde tempos imemoriais, dos tantos conflitos produzidos no mundo. Esses conflitos, com o passar dos anos e dos séculos, foram aumentando o volume das contendas e dos desastres, restando como saldo fragmentos de humanidade. Queira-se ou não, isso veio debilitando o homem e, até se poderia dizer, afastou de suas possibilidades a grande figura arquetípica de seus elevados destinos.
Devolver à humanidade o pleno gozo de suas faculdades e o uso consciente de sua razão deve ser e é o maior imperativo do momento atual.
Isto tem muito a ver com o abandono a que, incompreensivelmente, a humanidade parece ter-se entregado no curso dos séculos, abandono de suas condições e qualidades e, sobretudo, da disposição para atender à única realidade que dá expressão à sua existência: a consciência.
Ultrapassado o limite de todos os desejos e exigências que costumam determinar o conjunto das aspirações humanas, e ainda de suas razoáveis ambições, o ser humano, numa quase permanente agitação, foi submergindo-se pouco a pouco na inconsciência, ou seja, num obscurecimento que, sem maiores transtornos para sua razão, sutilmente a foi embriagando, até convertê-la num instrumento que justifica, aos olhos das outras pessoas, os erros ou desvios em que ele incorre.
Devolver, portanto, à humanidade o pleno gozo de suas faculdades e o uso consciente de sua razão deve ser e é o maior imperativo do momento atual.
Não se há de esquecer que foram sempre uns poucos, em relação ao número de seres humanos que povoam a Terra, os que tiveram a responsabilidade de guiar os homens pelo caminho que devia conduzi-los ao cumprimento de seus fins mais elevados. De modo que o peso dessa grande responsabilidade recaiu, em todas as épocas, sobre esses poucos que tiveram de pensar pelos demais. Pois bem; não teria chegado o tempo de essa responsabilidade ser compartilhada por um número maior de seres, e de aumentar a cada dia o número dos que pensam e dos que colaboram em tão magno trabalho?
Trechos extraídos de artigo da Coletânea da Revista Logosofia, tomo 3, p. 197
domingo, 17 de novembro de 2013
Maravilhas da fisionomia humana
Maravilhas da fisionomia humana
Por Carlos Bernardo González Pecotche (Raumsol)
Existem muitas coisas extraordinariamente interessantes no conjunto das tantas maravilhas que a Criação oferece; maravilhas que aparecem quando a inteligência toma contato com elas e descobre seu encanto e seu valor. Vamos nos referir à que concerne à fisionomia humana.
É indubitável que o rosto humano não poderia escapar às transformações que as leis universais exigem de tudo o que foi criado. Das toscas e imperfeitas fisionomias primitivas, nas quais não se percebia traço algum de qualidades sensíveis, às doces e expressivas da época presente, nas quais se revela a evolução da criatura humana, existe uma distância enorme.
A humanidade primitiva cumpriu suas etapas entre as selvas virgens e em franca convivência com as espécies inferiores que povoavam a terra. Seus rostos, carentes de toda expressividade humana, já que suas expressões tão somente denunciavam as reações do instinto, não podiam traduzir nenhuma das excelências do espírito, porque lhes faltava o polimento que a evolução realiza através dos séculos.
A fisionomia humana hoje mudou tanto, que bem pode ser proclamada uma das maravilhas mais preciosas da Criação. No homem de nossos dias, como no de avançadas civilizações do passado, é comum encontrar a presença de uma infinidade de traços que se manifestam no rosto, por força de uma espiritualidade cultivada ou, nos casos em que esta não foi alcançada, pela modelagem hereditária mediante o cruzamento de sangues e a adição de contribuições mútuas à superação da descendência. Não obstante, a fisionomia humana ainda dista muito de alcançar seu aperfeiçoamento, o que haverá de coincidir, naturalmente, com o aperfeiçoamento integral do ser.
A fisionomia é o que melhor revela as características psicológicas do ser
Os olhos, ao mostrarem ora a candura dos sentimentos puros, ora uma sublime sensibilidade, ora a expressão da inteligência cultivada transparecendo na luz do olhar, costumam velar mais de um defeito e atrair a simpatia e a atenção, ao se concentrarem neles essas manifestações do sentir íntimo. E se a isso somamos a palavra expressada em tom afável e eloquente, teremos a razão por que muitas fisionomias se iluminam de repente e se enchem de graça e simpatia, gravando-se na retina de quantos as contemplam ou observam.
O mau caráter é o que mais enfeia o rosto. A repetida contração que promove nos músculos faciais endurece os traços fisionômicos e refletem modalidades inconvenientes que causam uma desfavorável prevenção nos demais. Toda moderação que influa nos estados de ânimo e suavize a exteriorização dos desafogos do humor torna atraente a fisionomia e a dulcifica. O caráter enérgico não altera a fisionomia, se após a expressão dinâmica aparece o semblante tranquilo, natural.
As fisionomias se definem pela natureza dos pensamentos que predominam na mente e orientam a conduta do ser. Se são elevados e nobres, se são regidos por normas superiores de convivência, no rosto transparecem, com diáfana clareza, estados internos e modalidades do caráter que inspiram confiança e simpatia. A capacidade, o talento, como também todas as qualidades intelectuais desenvolvidas, oferecem a mesma característica, só que, na maioria das vezes, as linhas atraentes que tais qualidades gravam no semblante são substituídas pelas linhas antagônicas da vaidade e da excessiva estimação de si mesmo, que torna as pessoas pouco menos que intratáveis.
Trechos extraídos da Coletânea da Revista Logosofia, tomo 1, p. 225
sábado, 16 de novembro de 2013
A conciança em sua expressão ética
A confiança em sua expressão ética - 1ª parte
Por Carlos Bernardo González Pecotche (Raumsol)
Do ponto de vista de sua expressão ética, a confiança é o terreno moral que, partindo de nossa intimidade, se estende até circundar o que forma o conjunto de nosso ser. Assim, o espírito, a alma, a mente e o corpo se acham penetrados dessa essência moral que constitui, em resumo, o fundo característico de toda individualidade.
Temperando o ânimo na experiência e aquilatando os valores da inteligência em inequívocas atuações, consegue-se a confiança em si mesmo. Deve-se perceber com rigorosa nitidez a própria maneira de ser e adequar o conhecimento às exigências do esforço. Em poucas palavras: deve-se alcançar em grau máximo a certeza de se sentir capaz em relação ao que se pode fazer.
A confiança em si mesmo tem de significar a prova de uma justa avaliação; o culto às condições e à capacidade, sem cair na egolatria nociva.
A confiança que inspira a amizade sincera, similar à da família, fundamenta-se na reciprocidade do afeto e do conhecimento pessoal.
Desde o simples conhecido até o amigo verdadeiro, existe uma escala de graus no vínculo que os aproxima, vínculo suscetível de alterar-se por qualquer motivo, enquanto não se manifeste o apreço e a consideração como uma afirmação do conceito mútuo. A confiança é, então, produto da garantia moral que cada um se outorgue.
O ruim é quando se desvirtua ou se desnaturaliza o conteúdo nobre e sadio de tudo quanto a palavra confiança encerra. Daí surgem abusos que tanto afetam o decoro e a integridade humana, além dos prejuízos que costumam ocasionar por rigorosa consequência. É muito comum observar a quantidade de pessoas que, sem consideração alguma, tomam uma confiança que muito longe estava de lhes ser concedida. Não deixa de ser este um curioso aspecto da psicologia humana. Nos seres de escassa cultura ou instrução, geralmente se percebe essa tendência, provocando, em muitas circunstâncias, incidentes desagradáveis. Também encontramos casos em que se comete um abuso de confiança porque se deu oportunidade para isso.
O mesmo costuma acontecer entre duas pessoas de posições diferentes, quando o superior, em determinadas ocasiões e num gesto de camaradagem, permite uma maior intimidade, confundindo sua hierarquia com a do subordinado, e o faz de boa-fé, o que não dá a este o direito de fazer uso dessa confiança eventual que lhe foi concedida. Para o inferior, o de maior hierarquia deve ser sempre tido como tal; o respeito e a consideração deverão permanecer fiéis nele, se não quiser que o superior retire a confiança que lhe havia dispensado, pois é bem sabido que o fato de tomá-la implica invadir a autoridade daquele de quem ela depende, provocando a consequente reação.
Ao contrário disso, quando o subordinado se comporta corretamente, sabendo guardar distância e mantendo firme o conceito que seu superior deve merecer dele, é logo recompensado na amplitude das atribuições que lhe são dadas e no aumento da confiança que lhe é dispensada.
Assinar:
Comentários (Atom)