A mulher com seus encantos superiores
Por
Carlos Bernardo González Pecotche (Raumsol)
A mulher luta para se mostrar bonita, atraente, com
porte elegante e gestos cultos, graciosos. E não há dúvida de que muitas o
conseguem, e com facilidade. O conjunto de sua pessoa se mostra, assim,
atraente, vistoso, e seguramente exerce uma influência considerável.
Entretanto, em seu afã de embelezar-se fisicamente, a mulher tem-se descuidado
num grau extremo da beleza de sua fisionomia moral e psicológica. Muitas, sem
perceberem a grande importância de que se revestem as características
superiores – tão sublimes que imprimem no rosto o inconfundível traço da
cultura em sua mais fina manifestação –, afligem-se com seus fracassos e não
conseguem compreender a que obedece sua infelicidade.
Uma flor pode ser muito vistosa e até admirada num
ramalhete de flores, mas, se não tem perfume, ao contemplá-la sozinha veremos
que a ilusão de sua beleza se esfumará tão logo se manifeste como uma coisa
inerte, incapaz de nos comunicar as delícias de sua intimidade, a fragrância de
seu espírito, que tão grato se revela à alma que o aspira.
A mulher cujo espírito carece de cultivo, de
ilustração, pode se tornar tão sem graça quanto a flor meramente vistosa. Se,
porém, ela se esmera em polir seus modos, se percebe que a bondade e a alegria
devem ser parte inerente de sua natureza feminina, aplicando-se à tarefa de
fazer desaparecer os defeitos de seu caráter ao mesmo tempo que faz desaparecer
as impurezas de seu rosto, verá que sua vida florescerá cheia de esperanças e
se converterá, por seus encantos, na flor predileta do espírito.
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O cultivo mental deve constituir para a mulher
uma necessidade tão intensa quanto a que sente de embelezar sua pessoa.
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A Logosofia encara o problema da mulher em sua
essência, começando por interessar vivamente seu pensamento e fazendo com que a
natureza feminina experimente os benefícios de um encanto superior, qual seja o
da graça do espírito pelo cultivo das faculdades mentais.
Uma mulher discreta, gentil e culta é sempre
agradável, esteja onde estiver. Os atrativos da alma costumam ser muito mais
poderosos do que os do físico. Ela deve ser fina em seus modos e em sua
linguagem. Todo gesto ou atitude que atente contra sua feminilidade a enfeia,
chegando mesmo a convertê-la numa pessoa que inspira repulsa.
Para adquirir as belas qualidades que tanto adornam
seu caráter, é necessário que a mulher se disponha a isso com especial
dedicação. Aprendendo a conhecer de que modo os pensamentos atuam e influenciam
a vida, buscará a companhia daqueles que elevem seu espírito e contribuam, por
um lado, para dar brilho a sua figura de mulher superior no meio ambiente em
que atue e, por outro, para fazer com que sua alma desfrute as inumeráveis
prerrogativas que o conhecimento abre às possibilidades de viver uma vida mais
ampla.
Portanto, o cultivo mental deve constituir para a
mulher uma necessidade tão intensa quanto a que sente de embelezar sua pessoa.
E quem, senão os próprios filhos, haverá de
recordar com gratidão essa graça quase sublime que uma mãe inteligente e culta
derrama sobre suas almas? Que prêmio maior pode haver para seus sacrifícios que
o de ver seu nome, símbolo de exemplo, ser bendito e venerado por todos?
Mulheres assim são as que forjam o ideal das gerações.
Trechos
extraído de artigo da Coletânea da Revista Logosofia, Tomo 3, p. 1
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